Foto: Mateus Rossato
A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) inaugurou nesta terça-feira (31) o Foodtech FabLab, primeiro laboratório maker de foodtech do Brasil. Instalado no InovaTec Parque Tecnológico, o espaço foi criado para aproximar pesquisa acadêmica e aplicação prática, com foco na transformação de ideias em produtos e soluções para o setor de alimentos.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
O laboratório surge em um contexto de transformação global da indústria alimentícia, impulsionada por demandas por sustentabilidade, redução de desperdícios e desenvolvimento de novos produtos.
Nesse cenário, as chamadas foodtechs, empresas e iniciativas que aplicam tecnologia ao setor de alimentos, ganham espaço ao propor soluções inovadoras, desde novos ingredientes até formas mais eficientes de produção e distribuição.
Durante a inauguração, a administradora do InovaTec, Maria Daniele Dutra, destacou o papel estratégico da iniciativa para o desenvolvimento regional.
— A gente fala hoje de um ativo que é justamente trazer para Santa Maria estruturas tecnológicas, ancoradas em capital intelectual, para que a gente consiga dar todo suporte necessário para quem quer tirar uma ideia do papel — afirmou a administradora, em entrevista ao Bom Dia Cidade, da Rádio CDN.
A proposta do laboratório segue o conceito de ambientes maker, espaços voltados à experimentação prática, nos quais estudantes, pesquisadores e empreendedores podem desenvolver protótipos e testar soluções. Na prática, isso significa reduzir a distância entre pesquisa científica e aplicação no mercado.
— Esse ambiente inaugura com a proposta de colocar a mão na massa, de tirar do papel uma ideia e transformar isso em um produto. Ou, por que não, transformar essa cadeia de alimentos agregando valor, tornando o alimento mais nutritivo e diminuindo desperdícios de alimentos — completou.
Investimento e estrutura tecnológica
O Foodtech FabLab recebeu investimento de aproximadamente R$ 3 milhões em equipamentos de alta tecnologia. A estrutura inclui impressoras 3D de alimentos, sistemas de secagem, equipamentos para processamento e uma cozinha experimental voltada à criação e validação de produtos.
— Existe um investimento de 3 milhões em máquinas ultramente tecnológicas, muitas delas importadas, porque trabalhar com alimento é trabalhar com tecnologia de ponta e com inovação disruptiva — destacou Dutra.
Entre os equipamentos disponíveis, estão tecnologias como extrusoras, que permitem moldar alimentos a partir de massas ou proteínas, e sistemas de secagem avançada, que aumentam a durabilidade dos produtos. Esses recursos permitem que empresas e pesquisadores testem processos em escala piloto antes de investir na produção industrial.
Tecnologias e aplicações práticas
Entre os exemplos apresentados estão chocolates produzidos em impressoras 3D. A impressão 3D de alimentos consiste na construção de produtos camada por camada, a partir de matérias-primas como chocolate ou massas alimentícias, possibilitando formatos personalizados e controle preciso de ingredientes.
Outro destaque é a liofilização, processo de conservação que remove a água dos alimentos sem o uso de altas temperaturas. Diferentemente da secagem convencional, que pode comprometer nutrientes e textura, a liofilização preserva características originais do produto.
— É uma tecnologia que permite remover a água sem o uso de calor, mantendo propriedades, cor e qualidade nutricional dos alimentos, o que resulta em produtos mais saudáveis — afirmou o professor de tecnologia de alimentos, Juliano Barin.
Esse tipo de técnica é amplamente utilizado em alimentos de alto valor agregado, como snacks saudáveis, ingredientes para a indústria e produtos voltados a dietas específicas.
Conexão com o mercado e formação
Além da infraestrutura, o laboratório também terá papel na capacitação de estudantes, pesquisadores e empreendedores. Um dos focos é orientar sobre exigências regulatórias, fundamentais para a comercialização de alimentos, que precisam seguir normas sanitárias rigorosas.
— Não adianta falar em inovação e em ambientes maker se a gente não capacitar as pessoas e não orientar sobre o ambiente regulatório, que é essencial para que o produto chegue ao consumidor de forma adequada — ressaltou a administradora.
A UFSM já possui histórico de transferência de tecnologia, processo pelo qual conhecimentos desenvolvidos na universidade são transformados em produtos ou serviços disponíveis no mercado.
— Hoje a universidade já tem cerca de 20 transferências de tecnologia para a sociedade, sendo que entre 30% e 40% estão relacionadas com alimentos, e a tendência é ampliar esses números com o FabLab — concluiu Barin.
Com estrutura voltada à prototipagem, validação e desenvolvimento de produtos, o Foodtech FabLab também deve atuar como elo entre universidade, empresas e setor público. A expectativa da administração é que o espaço impulsione novos negócios, atraia investimentos e consolide Santa Maria como polo de inovação no setor de alimentos.
O Foodtech FabLab está instalado no Prédio 61H do InovaTec UFSM Parque Tecnológico, no campus sede da universidade.
Confira a entrevista