Foto: Paulo Baraúna/UFSM
A história de Pedro Ortaça retornou, na manhã deste sábado (30), ao lugar onde tudo começou. Após dois dias de homenagens, o cantor e compositor foi sepultado em São Luiz Gonzaga, sua terra natal. A despedida reuniu familiares, amigos, artistas, autoridades e admiradores, que acompanharam o féretro até o Cemitério Municipal.
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O corpo do músico havia sido velado inicialmente em Ijuí, cidade onde residia nos últimos anos. Já nas Missões, a Câmara de Vereadores local organizou uma cerimônia aberta ao público, permitindo que a comunidade e visitantes prestassem as últimas reverências.
O cortejo fúnebre percorreu as principais vias públicas até o local do sepultamento. Ao longo do trajeto, moradores se concentraram nas calçadas para aplaudir aquele que se tornou uma das principais vozes da identidade gaúcha. O percurso contou, ainda, com a escolta das forças de segurança.
Legado cultural
A morte de Pedro Ortaça, aos 83 anos, encerra um dos capítulos mais importantes da música missioneira. Reconhecido como o último "Tronco Missioneiro", ele dedicou décadas à valorização de sua terra, transformando causos, costumes e personagens locais em canções que atravessaram gerações.
Ortaça construiu uma carreira sólida na defesa do cancioneiro rio-grandense. Seu trabalho ajudou a consolidar um repertório que hoje serve de referência para novos intérpretes e compositores. Ao lado de Noel Guarany, Cenair Maicá e Jayme Caetano Braun, integrou o quarteto que projetou a riqueza cultural das Missões para todo o Estado.
Mesmo enfrentando problemas de saúde recentemente, o artista permaneceu na ativa. Em 2025, lançou a canção “Pena Guarany”, trabalho realizado em parceria com o filho Gabriel Ortaça e inspirado na celebração dos 400 anos das Missões.
Reconhecimento da UFSM
Em abril do ano passado, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) concedeu a Pedro Ortaça o título de Doutor Honoris Causa, a maior honraria atribuída pela instituição. A cerimônia ocorreu no Centro de Convenções da universidade e reuniu autoridades, artistas, professores, estudantes e admiradores do músico.

Na ocasião, o reitor da UFSM, Luciano Schuch, destacou a importância cultural e popular da obra do artista. Já emocionado, Pedro Ortaça agradeceu à família e ao público pelo reconhecimento recebido em Santa Maria, cidade pela qual dizia ter grande carinho.
Ao final da solenidade, acompanhado da banda e de familiares, ele interpretou alguns dos maiores sucessos da carreira.
O título foi aprovado por unanimidade pelo Conselho Universitário da UFSM. Durante a homenagem, Ortaça foi lembrado como um defensor da cultura gaúcha e uma das vozes mais importantes da identidade missioneira do Rio Grande do Sul.