Dois anos após enchentes, União e Estado apresentam balanços e disputam narrativa sobre reconstrução do RS

Dois anos após enchentes, União e Estado apresentam balanços e disputam narrativa sobre reconstrução do RS

Fotos: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados & Vitor Rosa/Secom-RS

Ex-ministro da Reconstrução, Paulo Pimenta (esq), e governador do RS, Eduardo Leite (dir), apresentaram balanços após dois anos das enchentes

Dois anos depois da maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul, os governos federal e estadual apresentaram, nos últimos dias, seus balanços sobre a resposta às enchentes de 2024 e os investimentos realizados desde então. 

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Embora ambos reconheçam a dimensão inédita do desastre e a necessidade de reconstrução de longo prazo, os discursos seguem caminhos diferentes: de um lado, o deputado federal Paulo Pimenta (PT), ex-ministro da Reconstrução, destaca o volume de recursos federais e o suporte emergencial à população; de outro, o governador Eduardo Leite (PSDB) concentra a narrativa na execução de obras estruturais e na preparação do Estado para enfrentar novos eventos extremos.

As enchentes de maio de 2024 deixaram 183 mortos no Estado, milhares de desabrigados e atingiram praticamente todas as regiões gaúchas. Em Santa Maria, foram 10 mortes. Cerca de 900 mil pessoas precisaram deixar suas casas no Rio Grande do Sul e mais de 100 mil passaram por abrigos temporários, em um cenário que alterou profundamente a rotina econômica, urbana e social do Estado.


Governo federal: R$ 111 bilhões e foco na resposta emergencial

Em discurso no plenário da Câmara dos Deputados, na terça-feira (29), Paulo Pimenta afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou a maior operação de apoio já destinada a um Estado brasileiro em situação de calamidade.

Segundo ele, mais de R$ 111 bilhões foram mobilizados em ações emergenciais, reconstrução e retomada econômica, com atuação integrada de 18 ministérios, das Forças Armadas e de diferentes setores da sociedade.

Entre as primeiras medidas adotadas, Pimenta destacou o pagamento do auxílio direto de R$ 5,1 mil para 430 mil famílias atingidas, recurso voltado à reposição imediata de móveis, eletrodomésticos e bens essenciais perdidos durante a enchente. Isso totalizou R$ 2 bilhões.

Além disso, o governo federal aponta:

  • 25 mil moradias viabilizadas (13 mil por compra assistida já entregues e 12 mil contratadas, com outras sendo feitas ou previstas), num total de R$ 5 bilhões
  • mais de 66 mil empresas atendidas com crédito com juros subsidiados
  • 229 mil produtores rurais com dívidas renegociadas
  • mais de R$ 35 bilhões em outras medidas de apoio econômico

Na infraestrutura, Pimenta citou mais de R$ 1 bilhão investidos na recuperação de rodovias e pontes e R$ 425 milhões destinados à reabertura do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, que teve mais de 900 metros de pista reconstruídos.

Outro ponto central da fala foi a suspensão, por três anos, do pagamento da dívida do Estado com a União, medida que permitiu a criação do Fundo do Plano Rio Grande do Sul (Funrigs), com R$ 12 bilhões.

Segundo o parlamentar, mesmo diante da tragédia, o Estado registrou crescimento econômico de 4,9%, acima da média nacional, o que ele atribui à velocidade da resposta federal.

— Ainda há muito a fazer, mas é fundamental registrar o esforço histórico e a solidariedade concreta que permitiram ao povo gaúcho retomar seu caminho. O povo gaúcho percebeu que foi no governo do presidente Lula que encontrou a força necessária, o apoio necessário para reconstruir a sua vida — afirmou.

Na região de santa Maria, por exemplo, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) está investindo R$ 226 milhões no reforço de 25 pontos de encostas entre Santa Maria e Itaara, São Pedro do Sul, Jaguari e Santiago. As obras devem ser concluídas até o final de 2026.

Com a prefeitura de Santa Maria, há obras como o reforço da encosta da estrada do Perau, com custo de R$ 20,7 milhões e previsão de conclusão até agosto, além de projetos para 19 pontes de concreto no interior, que estão na fase de contratação.


Governo do Estado: R$ 14 bilhões e aposta em obras estruturais

Na última sexta-feira (24), o governador Eduardo Leite e o vice-governador Gabriel Souza apresentaram o balanço de dois anos do Plano Rio Grande, programa criado para coordenar a reconstrução do Estado após as enchentes de 2024 e ampliar a capacidade de resposta a novos eventos climáticos extremos.

Segundo o governo estadual, já foram investidos R$ 14 bilhões em 227 projetos e ações, com foco em prevenção, infraestrutura permanente e adaptação climática. Diferente da atuação federal, mais concentrada no socorro emergencial e no auxílio financeiro direto, o Executivo gaúcho tem centrado sua estratégia em obras estruturais e sistemas permanentes de proteção.

Entre os principais investimentos estão:

  • R$ 502,9 milhões destinados à modernização de estações de bombeamento, diques, comportas e redes de drenagem;
  • R$ 6,5 bilhões previsto para obras definitivas em bacias estratégicas como Arroio Feijó, Vale do Sinos e Gravataí;
  • R$ 3 bilhões autorizados para recuperação de 800 quilômetros de estradas, reconstrução de nove pontes e contenção de 222 encostas;
  • Reforço na Defesa Civil, que passou de 42 para 131 militares, ampliou a frota operacional e implantou uma rede própria de monitoramento climático, com 130 estações hidrometeorológicas e cobertura de radar em todo o território gaúcho;
  • Programa A Casa é Sua – Calamidade autorizou 2.723 moradias definitivas em 56 municípios e 625 unidades temporárias para famílias atingidas. 

Leite afirmou que o objetivo é promover, em apenas 36 meses, um avanço equivalente a 36 anos em sistemas de proteção contra cheias.

— Dois anos depois da maior tragédia climática da nossa história, o Rio Grande do Sul está muito mais preparado para enfrentar eventos extremos. O Plano Rio Grande já entregou uma série de obras e iniciativas que fortalecem a capacidade do Estado de prevenir, monitorar e responder a situações críticas — disse.

O governador também associou a capacidade de resposta do Estado ao ajuste fiscal realizado antes da tragédia.

O Funrigs só existe porque o Estado construiu capacidade de pagar a dívida. Tudo o que nós fizemos previamente aqui, no nosso governo, sem saber que viria pandemia e enchentes, deu ao Estado uma capacidade de resposta que foi fundamental nestes dois momentos críticos da nossa história — afirmou.

Na região de Santa Maria, o Daer está fazendo obras que totalizam R$ 400 milhões, para reconstruir rodovias da Quarta Colônia, entre elas as que foram destruídas pela enchente, como a ERS-348, entre Agudo e Dona Francisca.

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