Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
Pimenta foi anunciado como novo líder do governo Lula na Câmara na última semana
Em Santa Maria para anunciar pacote de emendas e recursos federais ao município, o deputado federal Paulo Pimenta (PT) detalhou, em entrevista ao Bom Dia Cidade, da Rádio CDN, nesta quarta-feira (22), as prioridades à frente da liderança do governo na Câmara dos Deputados.
Entre os temas centrais estão o fim da escala 6x1 e o alto nível de endividamento da população, pautas que, segundo ele, concentram os principais debates no Congresso neste momento.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Fim da escala 6x1
A redução da jornada de trabalho é hoje uma das discussões mais avançadas e debatidas em Brasília. O tema tramita em duas frentes: uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que prevê carga semanal de 36 horas, e um Projeto de Lei (PL) do governo federal, com limite de 40 horas. Este último, em regime de urgência, deve ser votado em até 45 dias na Câmara.
Para Pimenta, a proposta busca corrigir uma distorção histórica no mercado de trabalho brasileiro, especialmente entre trabalhadores de menor renda.
— Hoje a escala 6x1 é cumprida por uma pequena parcela da sociedade. A última vez que nós mudamos a escala de trabalho no Brasil foi na Constituição de 88, quando reduzimos para 44 horas semanais. O Brasil está, depois de 38 anos, atualizando a questão da jornada de trabalho. 80% das pessoas que cumprem escala 6x1 são mulheres, muitas trabalhadoras domésticas. Estas mulheres são também as que recebem o menor salário. Então, quem cumpre escala 6 por 1, é quem ganha menos — afirmou.
— Imaginem a situação de uma mulher que sai de casa às 6h da manhã, que tem que levantar às 5h para chegar às 7h30min ou 8h. Ela trabalha de segunda a sábado, chega em casa por volta das 20h e ela só tem o domingo. Se ela quiser ir na missa, é no domingo. Se ela quiser lavar a roupa da família, é no domingo. Se ela quiser limpar a casa, é no domingo. Ela nunca pode ir um dia no colégio do filho, numa consulta de saúde. E essa mulher não sabe o que é lazer, não sabe o que é folga, não sabe o que é descanso. Muitas vezes o domingo é tão pesado quanto a semana. Será que nós temos que fazer com que esta pequena parcela de brasileiros e brasileiras continue cumprindo a escala 6 por 1? — completou Pimenta.
A proposta enfrenta resistência de setores produtivos, que projetam aumento de custos operacionais. Estudos indicam impacto imediato nas despesas, exigindo reorganização de escalas e, possivelmente, ampliação de equipes. Há também preocupação com setores essenciais, como saúde e logística, que dependem de funcionamento contínuo.
Mesmo assim, o deputado defende que mudanças desse tipo já ocorreram no passado e foram assimiladas pela economia.
— Quando foi criado o 13º salário, houve um levante de setores empresariais do Brasil contra, dizendo que o 13º ia quebrar a economia brasileira. Será que alguém consegue imaginar o Brasil hoje sem 13º? Então chegou a hora de fazermos esse debate. Os estudos mostram que a economia tem todas as condições de absorver essa mudança. E nós temos que criar as condições para que isso aconteça. Até do ponto de vista de justiça, chegou a hora de permitir que as pessoas que ganham menos e que trabalham mais, possam também ser beneficiadas com essa mudança da legislação — disse.
Segundo ele, a proposta prevê uma transição gradual para mitigar impactos, especialmente em pequenas empresas.
Endividamento e jogos de azar
Outro eixo prioritário citado por Pimenta é o avanço do endividamento no país. Dados recentes apontam que mais de 100 milhões de brasileiros têm dívidas, especialmente no cartão de crédito e em linhas de crédito com juros elevados.
— A sociedade brasileira está vivendo uma situação quase que de colapso financeiro. Tu trabalha para pagar o banco e o dinheiro não circula na economia, esse dinheiro do suor do trabalho das pessoas. Todo mundo hoje virou funcionário dos bancos. vamos anunciar até o final do ano um grande plano de refinanciamento das dívidas — avaliou.
Paralelamente, o deputado defende medidas contra jogos de azar online, apontados como fator de agravamento da inadimplência.
— Eu acredito que a gente não tem votos suficientes para aprovar, no Congresso, o fim das bets. Mas para aprovar o fim desses negócios tipo tigrinho, nós temos. Hoje, quase 70% do endividamento dos jogos vem desse estilo. É diferente, por exemplo, de tu apostar o resultado de uma partida de futebol. Isso é algoritmo puro, 80% perde, é jogo de azar. Nós temos que acabar com isso no Brasil, são empresas de fora, ninguém sabe onde vai parar esse dinheiro — afirmou.
Cenário eleitoral e estratégia nacional
Pimenta também comentou a decisão do PT de não lançar candidatura própria ao governo do Rio Grande do Sul, apoiando a pré-candidatura de Juliana Brizola (PDT). A medida, segundo ele, está inserida em uma estratégia nacional de alianças.
— A eleição de 2026 é uma eleição nacional. O nosso partido construiu uma estratégia nacional, que passou por um entendimento de que é muito importante ter palanque único em todos os estados onde estamos juntos com o PDT e com o PSB — explicou.
Ele destacou que a decisão segue uma lógica de reciprocidade entre partidos em diferentes estados e busca consolidar uma base mais ampla de apoio à reeleição de Lula.
— O que está em jogo no Brasil é democracia e a soberania. O nosso principal líder político do Brasil é o Lula. A orientação política do Lula é a orientação que nós vamos seguir. E eu não acredito que a gente vai ter qualquer dificuldade. Nós vamos ter um partido unido, caminhando juntos para ganhar a eleição aqui no Rio Grande do Sul e voltar a ver o povo gaúcho de volta no Palácio Piratini. Estou muito confiante e acho que a gente realmente fez a coisa certa — concluiu.
Confira a entrevista completa