“É um direito do trabalhador, mas não vamos deixar afetar os pacientes”, diz sindicato sobre greve dos funcionários do Husm

Colaboração de Mateus Rossato

“É um direito do trabalhador, mas não vamos deixar afetar os pacientes”, diz sindicato sobre greve dos funcionários do Husm

Foto: Mateus Rossato (Diário)

Funcionários da rede de hospitais universitários federais iniciaram uma greve, nesta terça-feira (31), e se concentram em frente ao Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), com mobilização intensificada desde a noite de segunda-feira (30). O objetivo é pressionar o governo federal e a recém-renomeada HU Brasil, antiga Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), a concederem recomposição salarial antes do prazo legal de 7 de abril, quando passam a vigorar restrições para aumentos acima da inflação por conta do período eleitoral.

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De acordo com o secretário de comunicação do Sindicato dos Servidores Empregados Públicos Federais do RS (Sindiserf/RS), Romário Krug, a paralisação ocorre em nível nacional e foi definida após meses de negociação sem avanço. Segundo ele, a categoria acumula perdas salariais de cerca de 25% nos últimos anos.

– Estamos desde dezembro tentando fechar um acordo coletivo com a empresa e com o governo federal. Agora, entramos em um período crítico, porque a partir de 7 de abril o governo não pode conceder aumentos acima da inflação. Por isso, a pressão precisa ser agora – afirmou.

A expectativa dos trabalhadores é de manter a mobilização ao menos até o fim de semana, período considerado decisivo para as negociações. Ainda nesta semana, estão previstas reuniões entre representantes da HU Brasil, ministros do Tribunal Superior do Trabalho e integrantes do governo federal para discutir uma possível reposição salarial e tentar fechar um acordo até o dia 6 de abril.


Serviços essenciais não serão afetados

Apesar da paralisação, Krug garante que os serviços essenciais não serão interrompidos. A adesão segue o modelo de 30% do efetivo em greve e 70% mantidos em atividade, conforme previsto em lei, para não prejudicar o atendimento aos pacientes, com prioridade para áreas críticas como unidades de terapia intensiva (UTIs), blocos cirúrgicos e atendimentos de urgência.

A intenção é não afetar os pacientes. Por enquanto, nenhum serviço foi afetado e esperamos que isso continue assim. Estamos organizando tudo com a gestão e permanecemos aqui em frente, justamente, para agir caso ocorra alguma eventualidade. Se for necessário atender uma emergência, o profissional pode ser imediatamente chamado de volta ao trabalho – explicou.

Krug também destacou que, embora a greve seja um direito dos trabalhadores, a orientação é preservar o atendimento à população.

É um direito do trabalhador, mas não vamos deixar afetar os pacientes, nem as consultas, exames e cirurgias – afirmou.

Segundo o sindicalista, setores administrativos tendem a ter maior adesão à greve, já que não impactam diretamente o atendimento à população. Até o momento, não há registro de prejuízos em consultas, exames ou cirurgias no Husm.

A mobilização envolve empregados públicos da HU Brasil, e ocorre paralelamente à greve de servidores da Universidade Federal de Santa Maria, representados pela Associação dos Servidores da Universidade Federal de Santa Maria (Assufsm). Embora atuem no mesmo espaço, as categorias têm pautas e dinâmicas de negociação distintas.


Nota da HU Brasil na íntegra

Em nota, a HU Brasil informou que segue em processo de negociação com as entidades representativa e que as tratativas estão sendo mediadas pelo Tribunal Superior do Trabalho desde a última semana:

"A HU Brasil informa que permanece em processo de negociação com as entidades representativas dos empregados e empregadas para a celebração do ACT 2026/2027, cuja data-base está fixada em 1º de junho de 2026.

As tratativas vêm sendo mediadas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) desde a última terça-feira (24), com nova rodada de negociação agendada para esta segunda-feira (30). Na reunião, a estatal vai apresentar o índice econômico visando avançar no entendimento entre as partes.

A estatal reforça que tem adotado medidas para assegurar a continuidade da prestação dos serviços essenciais de saúde à população, resguardando o interesse público.

Destaca-se que o último ACT (2024/2026), ainda vigente, firmado com as entidades sindicais, contemplou avanços relevantes tanto do ponto de vista econômico quanto social, reafirmando o compromisso com o diálogo permanente e com a valorização dos(as) trabalhadores(as)"


Confira a entrevista completa

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