O câncer de intestino pode ser o segundo tipo de maior incidência no Brasil tanto em homens (10,3% dos casos de câncer) quanto em mulheres (10,5%) no triênio 2026-2028, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Considerando esse cenário, a campanha Março Azul Marinho tem buscado conscientizar, ao longo do mês, sobre a prevenção e a importância do diagnóstico precoce da doença, que pode aumentar as chances de cura em mais de 90%.
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Os principais exames de detecção do câncer colorretal, como também é conhecido, são o teste FIT, que aponta sangue em fezes, e a colonoscopia, que permite ver o funcionamento do intestino por dentro. Ambos são ofertados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Exames
Um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Endoscopia e Endoscopia Digestiva (Sobed), Sociedade Brasileira de Coloproctologia e Federação Brasileira de Gastroenterologia afirma que o número de exames para detecção precoce do câncer de intestino realizados via SUS triplicou ao longo da última década.
De acordo com o levantamento, entre 2016 e 2025, a pesquisa de sangue oculto nas fezes passou de 1.146.998 para 3.336.561 exames realizados no SUS, o que representa um crescimento de aproximadamente 190%. Já as colonoscopias aumentaram de 261.214 para 639.924 procedimentos no mesmo período, avançando cerca de 145%.
Para o presidente da Sobed, Eduardo Guimarães Hourneaux, o cenário está associado ao avanço de estratégias de conscientização e à maior mobilização promovida por entidades médicas no país.
– A cada ano, mais pessoas deixam de adiar o cuidado com a saúde do intestino e procuram os serviços de saúde para realizar exames, o que se reflete em um aumento expressivo de colonoscopias e testes de rastreamento justamente durante o mês de março – comenta Hourneaux.
Segundo ele, esse movimento não seria por acaso:
– É fruto do compromisso de autoridades municipais, estaduais e federais, que abraçaram a causa, iluminaram prédios, organizaram mutirões e levaram a mensagem de prevenção para as ruas, escolas e unidades de saúde.
Cenário gaúcho
O Inca estima que 3.690 novos casos de câncer de intestino surjam em 2026 no Rio Grande do Sul, sendo 1.820 entre mulheres e 1.820 em homens. No ranking nacional de casos, o Rio Grande do Sul é um dos estados com maiores maiores incidências e taxas de mortalidade por câncer de intestino no Brasil, o que exige extrema atenção dos gaúchos para questões com:
Fatores de risco
- Fumar
- Consumir alimentos ricos em gorduras saturadas
- Sedentarismo
- Consumir bebidas alcoólicas
- Ter história familiar de câncer colorretal
- Ter história pessoal da doença (já ter tido câncer de ovário, útero ou mama)
- Baixo consumo de cálcio
- Obesidade
Sintomas
- Perda de peso brusca
- Sangue nas fezes
- Gases ou cólicas
- Náuseas
- Dor na região anal
- Sensação de intestino cheio mesmo após a evacuação
Ao apresentar sintomas, procure atendimento médico. O câncer de intestino tem cura. Quanto mais cedo iniciar o tratamento, maiores serão as possibilidades de cura.
Campanha
Promovida nacionalmente desde 2021, a campanha Março Azul é organizada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).
Este ano, a iniciativa conta ainda com o apoio institucional da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), da Associação Médica Brasileira (AMB) e do Conselho Federal de Medicina (CFM), além de outras sociedades de especialidades médicas.
A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é que as mortes prematuras (antes dos 70 anos) por câncer de intestino devem aumentar até 2030, tanto entre homens quanto entre mulheres. A projeção cita não apenas o envelhecimento populacional, mas também ao crescimento da incidência da doença entre jovens, o diagnóstico tardio e a baixa cobertura de exames de rastreamento.
*com informações da Agência Brasil