Exercício físico na psiquiatria

Maurício Scopel Hoffmann

Um recente estudo reúne o que há de mais robusto na literatura sobre exercício e saúde mental. Munro e colaboradores (2026), após revisar estudos que totalizaram mais de 76 mil participantes, que o exercício reduz sintomas de depressão e ansiedade em diferentes populações

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O efeito terapêutico é igual e as vezes maior que as medicações mais utilizadas para esses transtornos. Além disso, verificaram que exercícios aeróbicos parecem ter maior efeito para depressão, bem como se forem feitos em grupo e supervisionadas. Para ansiedade, programas mais curtos e de menor intensidade já trazem benefício relevante. O ponto mais importante não é “qual exercício é o melhor”, mas que qualquer exercício funciona. Mesmo com evidência comparável a psicoterapia e medicamentos em alguns contextos, o exercício ainda é pouco utilizado como tratamento inicial.

Risco psiquiátrico na família

Muito se questiona sobre o risco de se ter um transtorno mental tendo história de problemas psiquiátricos na família. O estudo liderado por Pedersen (2025), que inclui 3 milhões de pessoas da Dinamarca, mostra que ter um familiar com determinado transtorno aumenta o risco de desenvolver o mesmo quadro, especialmente quando o parentesco é mais próximo. Por exemplo, o risco de depressão ao longo da vida chega a cerca de 15% em pessoas com parentes de primeiro grau afetados, comparado a cerca de 8% na população geral sem parentes com o transtorno. Transtorno bipolar chega a 25%, quando comparado a 1% da população geral. 

Mas o achado mais relevante para comunicação clínica é outro: a maioria dos casos ocorre em pessoas sem história familiar próxima (cerca de 60% no caso da depressão). Ou seja, história familiar é um marcador útil de risco, mas não define destino. Isso reforça a importância de estratégias populacionais de prevenção e evita uma visão excessivamente determinista ou genética dos transtornos mentais.

Quando o luto fica

O luto prolongado é uma condição recentemente formalizada nos sistemas diagnósticos. Diferente do luto esperado, aqui há persistência de sofrimento intenso, incapacitante e centrado na perda, que não diminui com o tempo. Para diagnóstico, os sintomas precisam durar pelo menos 6 meses (ou 12 meses de acordo com a associação norte-americana de psiquiatria) e causar prejuízo significativo. Entre 3% e 10% das pessoas enlutadas desenvolvem o transtorno, com maior risco em perdas súbitas ou traumáticas. O tratamento de escolha não é medicamentoso, mas sim psicoterapia focada no luto, com evidência de efeito moderado a grande na redução dos sintomas. Dentre elas, destaca-se a terapia interpessoal (TIP). Antidepressivos podem ajudar apenas quando há comorbidades, como depressão. O principal desafio clínico é reconhecer quando o luto deixou de ser um processo adaptativo e passou a ser um quadro tratável — algo que ainda é frequentemente negligenciado na prática.


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