Meritocracia travada pela desigualdade

Mauricio Scopel Hoffmann

A ideia de que esforço e talento bastam para ter sucesso na vida encontra um problema na realidade: ela não funciona bem em sociedades muito desiguais. A Curva do Grande Gatsby mostra que países com maior concentração de renda tendem a fazer com que filhos de famílias pobres tenham muito mais dificuldade de subir do que em países mais igualitários, mesmo tendo grande capacidade cognitiva. No Brasil, nascer em família de baixa renda significa começar muito atrás: menos acesso a escolas de qualidade, redes de proteção menores e responsabilidades adultas chegando cedo. Quem nasce em família abastada herda não só dinheiro, mas oportunidades e margem para errar. Muitos jovens que seguiram o roteiro – estudaram, fizeram cursos, aceitaram salários apertados – se veem estagnados. De acordo com o economista Michael França, há, no Brasil, grande frustração com um sistema que promete meritocracia, mas entrega hereditariedade.

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A onda de calor histórica da Europa

Junho de 2026 foi o junho mais quente já registrado para a Europa Ocidental. Segundo o Serviço Copernicus, a temperatura média da região ficou 3,05°C acima do normal histórico – superando o recorde do ano passado. Globalmente, foi o segundo junho mais quente da história, 1,39°C acima da média pré-industrial. A segunda metade do mês foi marcada por onda de calor intensa que quebrou recordes em vários países europeus e contribuiu para mortes relacionadas ao calor, incêndios na Península Ibérica e agravamento de secas. O episódio veio logo após onda severa em maio, com outra emergindo já em julho. Esse padrão é marca das mudanças climáticas – e não do El Niño, de acordo com a agência europeia. Com milhares de mortes já registradas, calor extremo tem se tornado também emergência de saúde pública.

O que protege jovens em sofrimento

Uma revisão publicada no JAMA Network Open por Geoffroy e colaboradores analisou 68 estudos sobre fatores de risco e proteção associados à mortalidade por suicídio em jovens de até 24 anos. Entre os fatores de maior risco estão transtornos mentais – especialmente esquizofrenia e transtornos do humor –, histórico de autolesão, internações psiquiátricas e adversidades como maus-tratos na infância (bater em criança de fato não ajuda), afastamento do lar e baixa escolaridade. O dado mais esperançoso é também o mais simples: viver com ambos os pais foi o fator que mais protegeu os jovens. Estabilidade familiar, cuidado próximo e acesso a saúde mental não são detalhes – são os pilares da prevenção. Presença e conexão humana protegem. 

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