Foto: Nathália Schneider (Arquivo Diário)
O aumento no preço do óleo diesel e o risco de desabastecimento do combustível já começam a gerar preocupação em diferentes setores da economia na região central do Estado. O cenário é influenciado pela tensões no Oriente Médio, que impactam o mercado internacional de petróleo.
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Transporte coletivo em alerta
Em Santa Maria, empresas do transporte coletivo acompanham a situação com atenção. Segundo o diretor da Associação dos Transportadores Urbanos (ATU), Edmilson Gabardo, não houve redução no número de ônibus em circulação no município até o momento, mas o custo do combustível aumentou de forma expressiva.
— Na operação de Santa Maria nós não temos nenhuma redução. Elas estão operando normalmente todas as linhas dentro das tabelas previstas e determinadas pelo município. O que nós temos sim é um aumento absurdo, já aumentou R$ 2 o litro de combustível. Nós estamos pagando R$ 7,30 o litro do óleo diesel, sendo que na semana passada estava em R$ 5,30 ou R$ 5,40 — afirmou.
De acordo com Gabardo, além da elevação do preço, empresas do setor já enfrentam dificuldades para garantir o abastecimento. Alguns distribuidores menores estariam sem produto disponível, enquanto outros passaram a trabalhar com listas de espera.
— A gente entra numa lista de espera. Coloca o nome lá e diz: “Gabardo precisa de 5 mil litros de diesel”. No dia que eles têm disponibilidade, ligam e dizem: “Tenho 3 mil litros aqui e posso te vender a R$ 7,30”. Foi o que aconteceu na terça-feira com a empresa — relatou.
Segundo ele, fornecedores alertam para a possibilidade de falta do combustível caso o cenário internacional se prolongue. O Brasil produz cerca de 75% do diesel que consome e precisa importar o restante.
— Se a Petrobras não comprar lá fora, vai faltar. E se comprar, vai pagar mais caro. A tendência é que esse custo acabe chegando ao consumidor — explicou.
Apesar da preocupação, Gabardo avalia que, em caso de escassez, setores considerados essenciais devem ser priorizados.
— Eu acredito que, se houver realmente uma crise de desabastecimento, o governo federal vai ter que priorizar o transporte público e o transporte de carga, porque senão o país para — disse.
Impacto direto no campo
A alta do diesel também preocupa produtores rurais, especialmente em municípios com forte produção agrícola, como Tupanciretã. O prefeito Gustavo Terra (PP) afirma que o combustível é um dos principais componentes do custo de produção nas lavouras.
— Os TRRs (Transportadores, Revendedores e Retalhistas) já estão pedindo entre R$ 8,12 e R$ 8,20 para entregar o diesel na lavoura. Isso é proibitivo. O agronegócio não tem mais margem de lucro para custear essa diferença no custo de produção — afirmou.
Nas propriedades rurais, o diesel costuma ser armazenado para abastecer máquinas agrícolas durante as diferentes etapas da produção. Com a colheita da soja se aproximando, a demanda pelo combustível tende a crescer.
— A utilização do maquinário é praticamente constante. Temos aplicação de defensivos, plantio, distribuição de adubo e agora a colheita. O consumo de diesel é permanente — explicou o prefeito.
Segundo Terra, a situação preocupa ainda mais porque muitos produtores já enfrentam dificuldades financeiras após perdas provocadas por problemas climáticos nos últimos anos.
— Muitos produtores tiveram dificuldade financeira para plantar este ano, utilizaram menos insumos e certamente também estão com estoque reduzido de diesel. Isso é muito preocupante — disse.
Reflexos também na administração pública
O impacto da alta do diesel não se restringe à produção agrícola. Em Tupanciretã, a prefeitura também acompanha o cenário com atenção, já que grande parte da frota pública utiliza o combustível.
— Temos ambulâncias, transporte escolar, ônibus da saúde e todo o maquinário de manutenção das estradas que utilizam diesel. Nada disso pode parar — afirmou Terra.
Segundo ele, a empresa responsável pelo fornecimento de combustível ao município já solicitou reequilíbrio no contrato devido ao aumento do preço.
— A nossa licitação é de R$ 6,05 o litro.A empresa protocolou pedido para R$ 7,40. Estamos buscando orientação sobre como proceder para manter os serviços essenciais funcionando — explicou.
Atualmente, o estoque do município é limitado.
— Hoje nós temos cerca de 3 mil litros de diesel. Isso garante as atividades apenas até o início da próxima semana — afirmou.
Caso o cenário de instabilidade se prolongue, a tendência é de novos aumentos no combustível e maior pressão sobre setores que dependem diretamente do diesel para manter suas atividades.
Confira a entrevista com Edmilson Gabardo
Confira a entrevista com Gustavo Terra