Alta do diesel preocupa produtores e transportadoras na região; colheita da soja e fretes podem ser impactados

Alta do diesel preocupa produtores e transportadoras na região; colheita da soja e fretes podem ser impactados

Foto: Nathália Schneider (Arquivo Diário)

O aumento no preço do diesel e as restrições no fornecimento do combustível preocupam o setor agrícola na região de Santa Maria. Produtores relatam dificuldades para comprar diesel em volumes suficientes justamente no início do período de colheita da soja, quando a demanda pelo combustível aumenta significativamente.

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A avaliação é do gerente regional da Emater, Guilherme Passamani, em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade!, da Rádio CDN (93.5 FM), nesta quarta-feira (11). Segundo ele, cerca de 16% da safra de soja da região já está em maturação e apta para colheita, o que exige grande volume de combustível tanto para a operação nas lavouras quanto para o transporte da produção.

– A operação de colheita demanda uma quantidade bastante significativa de combustível. Depois disso, ainda há toda a logística para levar o grão até as unidades de armazenamento, até a sua limpeza e, depois, vá para outros lugares do mundo, aos portos – explicou.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

A soja é a principal cultura da região e ocupa mais de 1 milhão de hectares, o que amplia a preocupação diante das dificuldades de abastecimento relatadas por produtores.


Relatos de dificuldade para comprar combustível

De acordo com Passamani, extensionistas da Emater têm recebido diversos relatos de produtores que enfrentam dificuldade para adquirir diesel ou para completar os estoques necessários nas propriedades rurais. Embora algumas fazendas possuam reservatórios para armazenar combustível, essas estruturas não são suficientes para garantir todo o volume necessário para abastecer as máquinas durante a colheita.

– Por mais que alguns produtores tenham estrutura de armazenamento, a operação exige uma quantidade de combustível bastante intensa nesse momento (...). As estruturas que abastecem esses espaços também demonstram certa dificuldade de entregar esse combustível, principalmente porque são volumes muito grande – afirmou.

Ele destacou que a situação tem gerado preocupação entre os agricultores, principalmente porque o diesel é essencial em praticamente todas as etapas da produção agrícola.

– O custo da produção já é bastante elevado, e esse aumento do diesel representa mais um desafio que o produtor precisa administrar – disse.


Impacto no custo da produção

Além da possibilidade de restrição no abastecimento, a alta do combustível também pressiona os custos da atividade agrícola. Conforme Passamani, as margens de lucro no campo estão cada vez mais apertadas, o que aumenta a preocupação com oscilações bruscas de preços.

Acontece uma situação lá do outro lado do mundo e vem respingar aqui na nossa cidade, na nossa comunidade, no nosso Estado, e o produtor tem que fazer a gestão desse processo da melhor forma. Isso porque, de fato, as margens de lucro estão cada vez mais justas – avaliou.

Ele lembrou que situações semelhantes já ocorreram em outros momentos recentes, como durante a pandemia da Covid-19 e na greve dos caminhoneiros. Por isso, o produtor acaba tendo que se adaptar a essas situações com frequência.


Transporte também sente impacto do diesel

O aumento no preço do combustível também tem afetado o setor de transporte de cargas, que depende diretamente do diesel para manter as operações. O empresário Tony Bernardini, dono de uma transportadora com sede em Agudo, afirma que o diesel comprado por transportadoras e produtores rurais já registra alta significativa.

– O aumento do diesel na região chegou a cerca de R$ 2 por litro, o que representa quase 40% de aumento – disse Bernardini também em entrevista à Rádio CDN.

Segundo ele, a empresa possui cerca de 50 caminhões próprios e trabalha com aproximadamente 150 veículos ao todo, considerando motoristas terceirizados. Com a alta do combustível, o custo mensal da operação pode crescer de forma expressiva.

– Para uma frota de cerca de 150 caminhões, com um aumento de R$ 2 por litro, estamos falando de aproximadamente R$ 1,5 milhão a mais por mês – afirmou.

De acordo com o empresário, parte desse custo deve acabar sendo repassada para o valor do frete, o que pode gerar impacto em cadeia nos preços de produtos.

Segundo Bernardini, transportadores já começaram a conversar com clientes sobre possíveis reajustes no frete, embora o repasse normalmente leve algum tempo para ocorrer.


Situação segue em alerta

Para a Emater, o momento exige atenção, principalmente porque a colheita da soja começa a ganhar ritmo nas próximas semanas.

– Temos que estar atentos a essas movimentações. Esperamos que a situação se normalize e que o fluxo de combustível volte ao normal para que possamos então dar a vazão necessária para a atividade agrícola, que é imprescindível para o nosso país – afirmou Passamani.

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