O local é onde o corpo de Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, foi encontrado no dia 19 de agosto, uma semana após ser abordado por três policiais da Brigada Militar e ter sido visto com vida pela última vez. Foto Maurício Barbosa (Diário)
A quinta-feira (16) foi marcada por muita movimentação em São Gabriel, em mais uma audiência da Justiça Militar que apura o desaparecimento e morte de Gabriel Marques Cavalheiro. Além da audiência, uma inspeção judicial foi realizada na barragem do Lava Pé, onde o corpo do jovem foi encontrado. Pelo menos sete pessoas devem prestar depoimento.
A inspeção começou por volta das 11h30min, e durou cerca de uma hora. Os advogados dos réus, os soldados Cleber Renato Ramos de Lima e Raul Veras Pedroso e o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacbosen, teriam solicitado a inspeção para esclarecer algumas dúvidas ainda existentes no processo. Além dos advogados, a juíza Viviane Freitas Pereira, da Auditoria Militar de Santa Maria, um policial civil que trabalhou nas investigações, bombeiros e policiais militares que estavam nas buscas também acompanharam a inspeção no açude.
Além deles, atentos a tudo que acontecia, estavam o pai de Gabriel, Anderson da Silva Cavalheiro a mãe, Rosane Marques e a irmã Bianca Marques Inácio. Eles chegaram a São Gabriel na terça-feira (14), acompanharam os depoimentos durante a audiência de quarta-feira (15) e seguem na audiência nesta quinta. A pedido da defesa dos policiais, a imprensa não pôde acompanhar os depoimentos.
Foto: Maurício Barbosa (Diário)
Desaparecimento
Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, desapareceu por volta da meia-noite do dia 12 de agosto de 2022, no Bairro Independência, em São Gabriel. Segundo o relato de uma moradora, ela teria chamado a Brigada Militar (BM) após o jovem ter forçado a grade da casa dela e tentado entrar no local. Os policiais foram até o endereço, abordaram, algemaram Gabriel e o colocaram no porta-malas da viatura. Depois disso, o jovem não foi mais visto.
O corpo de Gabriel Marques Cavalheiro foi encontrado no dia 19 de agosto, em uma barragem na região conhecida como Lava pé. Os três policiais militares que abordaram o jovem foram presos no mesmo dia e encaminhados ao Presídio Militar de Porto Alegre, onde estão presos desde então. O laudo do exame de necropsia apontou que Gabriel morreu devido a uma hemorragia interna na região do pescoço, provocada por uma agressão, e que não haviam indícios de afogamento.
Os soldados Cleber Renato Ramos de Lima e Raul Veras Pedroso e o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacbosen são representados pelos advogados Maurício Custódio e Shaianne Lourenço Linhares.