Foto: Vinicius Becker (Diário)
O III Seminário de Desenvolvimento Social do RS ocorre no Recanto Maestro, reunindo representantes de municípios para qualificação da rede de assistência social.
O 3º Seminário de Desenvolvimento Social do Rio Grande do Sul reúne, desde segunda-feira (16) até esta quinta-feira (19), 1.901 pessoas no Recanto Maestro, em Restinga Sêca. O evento, promovido pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Sedes), consolidou-se como um dos maiores encontros de assistência social do país, e mobiliza gestores e técnicos de 353 municípios gaúchos até a última atualização desta reportagem. Durante o encontro, o governo do Estado anunciou novos editais que somam R$ 10 milhões para o fomento de políticas voltadas à pessoa idosa.
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Conforme os números atualizados nesta terça-feira (17), o seminário registrou 1.301 participantes nas atividades principais, 320 no curso de Agente de Desenvolvimento da Família e 300 na formação de Primeira Infância. Entre as atividades técnicas, a oficina sobre violência contra a mulher foi a primeira a esgotar as vagas.
Avanço na qualificação
Para o secretário de Desenvolvimento Social, Beto Fantinel, o seminário representa a consolidação de uma trajetória em que o Estado passa a pautar as ações sociais com apoio técnico e financeiro. Fantinel ressaltou que, sob a liderança do governador Eduardo Leite e do vice-governador Gabriel Souza, o Estado qualificou mais de 13 mil pessoas no último ano por meio da Escola de Desenvolvimento Social (EDSocial).

– Nós tomamos a decisão de criar o seminário de desenvolvimento social para que a gente pudesse avançar na qualificação da nossa rede, na construção do fortalecimento da política e da assistência social. Os nossos desafios são idênticos, só mudam de município. Então, nivelar o conhecimento, fazer o network, conversar, faz parte desse processo – afirma Beto Fantinel.
O secretário adjunto da Sedes, Gustavo Segabinazzi Saldanha, reforça que o evento funciona como uma imersão técnica, com mais de 45 oficinas. Segundo Saldanha, a presença do governo estadual no seminário permite que as demandas dos municípios sejam levadas diretamente para as esferas de decisão.

– A gente pode dizer, hoje, que nunca antes um governo investiu tanto na pauta social, e isso é decisão política. Ter o governador ouvindo os municípios, estando aqui conosco, vendo a política pulsar é importante – detalha Gustavo Saldanha.
Reconhecimento aos municípios
O seminário também é espaço para a entrega do Selo Município Amigo do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora que deve ocorrer nesta quarta-feira (18). Em primeira mão, Beto Fantinel informou à reportagem que Santa Maria foi contemplada com o selo bronze, reconhecimento que busca referenciar boas práticas de acolhimento temporário. Para a presidente do Conselho de Assistência Social de Santa Maria, Liciara Melissa Prass, o evento possibilita que os técnicos se capacitem sem custos diretos para os cofres municipais.

– Santa Maria foi contemplada com vários programas, como o Cidade do Recomeço, o Centro Dia e o Centro Pop. O selo mostra o trabalho maravilhoso que o município tem com o Família Acolhedora, que já está há quatro anos na cidade – destaca.
A articulação entre as regiões é apontada por Keli Carine Soares, coordenadora do colegiado de gestores das Missões, como um dos ganhos da programação. Ela representa 27 municípios e avalia que o seminário ajuda a unificar a linguagem técnica entre as secretarias. A visão é compartilhada por Luciana Lima Borba, usuária da rede em Encantado e integrante da sociedade civil, que destaca a importância de compreender a dimensão do Suas para além do dia a dia local.
Histórias de superação por meio do acolhimento
O impacto das políticas de assistência social foi relatado por egressos e por aqueles que utilizam o sistema de acolhimento. Luiz Carlos Gonçalves de Oliveira, que viveu em situação de rua em Santa Maria, participou do seminário para acompanhar os debates. Ele relata que passou por casas de passagem e clínicas após sair de um ponto em que ficava próximo do Colégio Marista em Santa Maria.

– Antes, eu achava que estava na rua e estava tudo bem, utilizando álcool diariamente. Hoje, eu me sinto outra pessoa. A rua não é vida nem para um cachorro. Procure um desses órgãos que vai ser bem acolhido e vai sair dessa situação – afirma Oliveira.
João Ricardo Silva de Souza, que viveu em frente aos Correios de Santa Maria por quatro meses, hoje atua como educador social em uma casa de passagem. Ele afirma que está "limpo" há mais de três anos e utiliza o conhecimento adquirido no seminário para auxiliar 20 acolhidos na instituição onde trabalha.
– Graças a Deus, hoje não penso nunca mais voltar para o que eu fazia antes. Estou cada vez progredindo e aprendendo para repassar aos meus acolhidos – afirma.
A programação segue e a programação completa pode ser acessada neste link.