O sábado foi de culto às tradições em Santa Maria. A Chama Crioula, um dos símbolos dos festejos farroupilhas, foi distribuída para 39 entidades que compõem a 13ª Região Tradicionalista (RT). A cerimônia aconteceu na Estância do Minuano e marcou a abertura da Semana Farroupilha na cidade.
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Cerca de 28 cavalarianos do Departamento de Cavalgadas Tropeiros do Coração do Rio Grande, da 13ª RT, saíram da Associação Tradicionalista Poncho Branco por volta das 11h30min de sábado. Em uma charrete, a Chama Crioula, que percorreu 620 km do Chuí até Santa Maria, onde estava desde quarta-feira, foi levada até a Estância do Minuano.
Entidades tradicionalistas não participarão do Desfile Farroupilha em Santa Maria
Os tradicionalistas percorreram algumas ruas da cidade e agradaram aos santamarienses, que saíam na porta das casas e estabelecimentos comerciais para prestigiar a passagem da Chama Crioula.
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O pequeno Anthony Gabriel Machado, 4 anos, estava encantado com a cavalgada. Segundo a mãe, a auxiliar administrativa Paula de Cássia Saccol, 36 anos, o menino, que é deficiente auditivo, é apaixonado por cavalos. Os olhos do pequeno brilhavam, enquanto os representantes da tradição gaúcha se afastavam.
Ele acha lindo, é encantado com cavalos. Quando ele viu, saiu correndo de dentro de casa para acompanhar afirma Paula.
Anthony não foi o único. O comerciante Edson Freitas, 45 anos, também presenciou a cavalgada:
É uma tradição. Uma pena que está se perdendo, então temos que assistir e prestigiar, porque motiva que mais gente participe.
Na charrete, a tradição foi representada por idades distintas: Luis Augusto Severo dos Santos, 6 anos e Airton Vieira Jardim, 62. Seu Airton afirma que a participação nos festejos farroupilhas já virou uma tradição e o objetivo é transmitir o orgulho para os pequenos:
Estou há mais de 50 anos envolvido com a cultura gaúcha. Ir buscar a chama e participar de tudo isso está no nosso coração, no nosso sangue. Parece que a gente se renova e tentamos incentivar que as crianças participem, que elas sigam nossos passos.
Luis, mesmo tímido, já está aprendendo. Segundo o pai, Carlos Augusto Soares dos Santos, 47 anos, desde os três anos o menino participa dos eventos. Dessa vez, encontrou os cavalarianos do Departamento em São Sepé e, junto a eles, percorreu 70 km em 3 dias, até chegar em Santa Maria.
Nós incentivamos que ele participe, pois é um ambiente bom, propício e faz com que ele mantenha a tradição afirma o pai.
Segundo o diretor do Departamento de Cavalgadas, Mauro Régio Muller Becker, essa foi a primeira vez que a Chama Crioula foi trazida em uma charrete. A novidade se deve à distância percorrida pelos cavalarianos, já que, também pela primeira vez, o símbolo dos festejos foi aceso fora do Estado, na Colônia do Sacramento, no Uruguai, sendo assim uma Chama Binacional.