Foto: Beto Albert (Diário/Arquivo)
Plantação de milho afetada pela estiagem em Júlio de Castilhos em janeiro de 2025.
Júlio de Castilhos decretou situação de emergência em todo o território do município em razão da estiagem que vem afetando a região, marcada pela ausência e irregularidade das chuvas e por períodos prolongados de altas temperaturas. O decreto entrou em vigor na última quarta-feira (12) e tem validade de 180 dias.
A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 8.062, após análise técnica e deliberação dos órgãos competentes, diante do agravamento do cenário climático e dos impactos já observados no meio rural e na economia local.
A decretação da situação de emergência teve como base uma reunião do Conselho Agropecuário Municipal, realizada no dia 10 de fevereiro. No encontro, foram avaliados os danos humanos, produtivos e econômicos provocados pela estiagem.
De forma unânime, o conselho reconheceu a caracterização de uma situação anormal no município e recomendou a adoção da medida, considerando tanto as perdas já registradas quanto a tendência de agravamento no curto prazo.
Safra 2025/2026 apresenta perdas expressivas
Conforme laudo técnico elaborado pela Emater RS-Ascar, com apoio da Secretaria Municipal de Agricultura e de entidades do setor, a safra 2025/2026 vem sendo severamente comprometida pela redução significativa das chuvas, especialmente nos meses de janeiro e fevereiro, período considerado crítico para o desenvolvimento das culturas.
O levantamento aponta perdas médias estimadas de cerca de 20% na cultura da soja, 15% no milho grão e 20% no milho destinado à silagem. A estiagem também afeta a bovinocultura de leite,com redução da produção em função da escassez de forragens e do estresse térmico dos animais.
Prejuízos ultrapassam R$ 146 milhões
O impacto econômico estimado das perdas agrícolas e pecuárias ultrapassa R$ 146 milhões, atingindo diretamente a renda dos produtores rurais e refletindo na economia do município como um todo, além de afetar outros setores dependentes do agronegócio.
Além dos prejuízos produtivos, também foram identificados danos de natureza humana. Famílias da zona rural enfrentam dificuldades no acesso à água potável para consumo, o que tem provocado aumento na demanda por ações emergenciais de abastecimento e de dessedentação animal.
Mobilização da Defesa Civil e ações emergenciais
O decreto autoriza a mobilização de todos os órgãos municipais, sob a coordenação da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil, para a adoção de medidas de resposta, assistência à população afetada, mitigação dos danos e reabilitação das áreas atingidas.
A medida também garante maior agilidade administrativa para a execução de ações emergenciais e para o encaminhamento de pleitos junto aos governos estadual e federal, com o objetivo de assegurar apoio técnico e financeiro aos produtores rurais e às famílias impactadas pela estiagem.
A administração municipal reforça que a decretação da situação de emergência é uma medida responsável, baseada em critérios técnicos e legais, e tem como principal objetivo preservar a segurança hídrica, reduzir os prejuízos sociais e econômicos e garantir o amparo necessário à população rural e urbana de Júlio de Castilhos diante do cenário climático adverso.