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OPINIÃO: O Brasil desvaloriza professores e não prioriza a educação de verdade

Gilson Piber

Enquanto o Brasil não valorizar, de direito e de fato, os professores dos ensinos básico e médio, a situação não vai mudar. Seremos um país de terceiro mundo, medíocre e de enganação. Os docentes merecem salário digno e condições satisfatórias de trabalho nas escolas. Precisam ser reconhecidos pela função nobre e fundamental que exercem, além de terem acesso assegurado a cursos de capacitação e atualização.

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O investimento em educação deveria ser a prioridade de qualquer país sério,  decente, responsável e preocupado com o futuro das suas crianças e jovens. Não é à toa que as licenciaturas têm baixa procura na graduação. Ser professor, na atualidade, virou atividade de risco e sofrimento para homens e mulheres, sobretudo, pelo desgaste da atividade e o salário minguado e parcelado no fim do mês aqui no Rio Grande do Sul. Se não bastasse isso, membros da elite conservadora viram a cara e menosprezam a luta da categoria por melhores salários e aspectos razoáveis para atuar na profissão escolhida. 

Professor ensina, não educa. Quem educa é a família, o pai, a mãe, a tia, o tio, o avô, a avó, enfim, o responsável pela criança ou o jovem. Com todo o respeito, não cobrem do professor a educação dos seus filhos e filhas. Não transfiram mais essa responsabilidade para o docente. As atribuições familiares são daqueles que colocam os ditos seres humanos no mundo, e não dos professores. 

Convivo com uma professora de Física – eta disciplina densa – havia quase 24 anos. Nesse período, vi e senti de perto as angústias e os sofrimentos de trabalhar em duas e até três escolas na semana. Acompanhei, também, a satisfação pelo ofício e a valorização, por parte de alguns alunos, da atividade diária e até das cobranças feitas em testes e provas durante as aulas. Na aprovação em vestibulares, alunos(as) telefonavam, informando da conquista e agradecendo pelos ensinamentos. Confesso, me emocionava por ela, mesmo com as poucas horas para conversar durante o dia e o cansaço ao final dele. Isso sem falar nos fins de semana, de planos de ensino e aulas a organizar e trabalhos e provas a corrigir.

Assim é a vida de um (a) professor (a), que alguns engravatados burocratas desconhecem e atentam contra. Isso é triste, afinal, revela o quanto um país ou um governo não entende a importância do docente no processo de formação de uma nação livre, independente, sabedora dos seus direitos e deveres, emancipada para trilhar um futuro digno e formar cidadãos críticos e conscientes na essência das palavras.

Nós, enquanto contribuintes e eleitores, devemos cobrar mais dos nossos governantes em todas as esferas. Afinal, educação, saúde e segurança são setores estratégicos para o êxito de qualquer país, estado ou município. Quem não enxergar isso, sofre de miopia e necessita procurar um oftalmologista urgentemente.

Paulo Freire dizia que, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco a sociedade muda”. Tudo que assistimos no momento do Brasil é de nossa responsabilidade e cabe a nós mudarmos essa situação, custe o que custar. Pelos nossos filhos, netos e bisnetos. 

Alguém há de ter um Brasil mais justo, honesto e pujante, no qual a educação não sirva como mero discurso em campanhas eleitorais.


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