Foto: Pedro Piegas (Diário/Arquivo)
Dos 12 mil candidatos que realizaram prova prática de direção no ano passado, em Santa Maria, 8,6 mil foram reprovados. Do total de pessoas que não conseguiram passar no teste para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria B (para conduzir automóveis), 5,1 mil cometeram erros na baliza, ou seja, 59,35%.
Os dados do município foram obtidos pelo Diário no Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS) obtidos pelo Diário. Na prática, a cada 10 candidatos que realizaram o exame, seis falharam especificamente na baliza, etapa aplicada no início da prova, antes do percurso em via pública. É quando o motorista precisa estacionar o carro em uma vaga delimitada.
Já no Estado, foram realizadas 361.387 provas práticas da categoria B, com 218.445 reprovações.
A divulgação dos índices ocorre 15 dias após o Detran-RS anunciar, em 3 de fevereiro, a retirada definitiva da baliza do exame prático da categoria B. A mudança entrou em vigor no dia 4 e atende a determinação da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
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Março teve o maior índice de reprovação

O mês de março registrou o maior percentual de reprovação por baliza ao longo de 2025: 65,7%. Naquele mês, 1.089 provas foram realizadas, com 828 reprovações, sendo 544 exclusivamente na baliza.
Ao longo de 2025, praticamente todos os meses mantiveram índice superior a 50% de reprovação na baliza.
Raio-x da baliza em 2025
Os números chamam atenção já que, em praticamente todos os meses de 2025, as reprovações por baliza não baixaram de 50%. Confira os números totais do ano passado:
- Provas realizadas: 12.089
- Candidatos reprovados: 8.694
- Reprovações na baliza: 5.165
- Média anual de reprovação por baliza: 59,35%
Mês | Provas | Reprovações | Na baliza | Índice de reprovação |
|---|---|---|---|---|
Janeiro | 1.156 | 821 | 520 | 63,3% |
Fevereiro | 1.135 | 851 | 535 | 62,9% |
Março | 1.089 | 828 | 544 | 65,7% |
Abril | 1.019 | 711 | 382 | 53,7% |
Maio | 1.054 | 779 | 457 | 58,7% |
Junho | 1.002 | 727 | 424 | 58,3% |
Julho | 1.229 | 891 | 502 | 56,3% |
Agosto | 993 | 718 | 385 | 53,6% |
Setembro | 962 | 651 | 394 | 60,5% |
Outubro | 888 | 618 | 335 | 54,2% |
Novembro | 781 | 553 | 355 | 64,2% |
Dezembro | 781 | 546 | 332 | 60,8% |
Críticas ao novo modelo

Na ocasião do anúncio da mudança, o vice-presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores do Rio Grande do Sul (Sindicfc), Rodimar Dall’Agnol, 55 anos, avaliou a retirada da etapa como prejudicial para o aprendizado. Segundo ele, a baliza servia para desenvolver a noção de espaço e o domínio da marcha à ré antes de o motorista circular nas ruas.
– A baliza não é apenas colocar o carro em uma vaga. Ela desenvolve competências importantes para quem vai circular no trânsito — afirmou.
O representante do sindicato também explicou que a facilitação do exame pode passar uma ideia errada para a sociedade sobre a seriedade da formação de condutores.
– Passa-se a ideia de que a formação deixa de ser prioridade. O trânsito é algo muito sério, e os acidentes são resultado da soma de descuidos – relatou.
Por outro lado, o chefe da Divisão de Exames do Detran-RS, João Jardim Silveira, explicou que a mudança é uma ordem federal válida para todos os Estados. De acordo com ele, a retirada da baliza ajuda a diminuir o nervosismo dos candidatos, que muitas vezes reprovavam antes mesmo de começar o percurso na rua.
– Muitos candidatos reprovavam em função do nervosismo. Agora, o candidato entra direto para o percurso e, ao final, realiza uma manobra de estacionamento simples – detalha.
Silveira afirmou que a nova lógica do governo federal busca avaliar como a pessoa se comporta no trânsito real, convivendo com pedestres e ciclistas, em vez de focar em movimentos mecânicos dentro de uma vaga de treinamento.
O que mudou na CNH

O processo para a categoria B no Estado funciona da seguinte forma:
- Fim das hastes: A prova não utiliza mais os bastões que delimitavam o espaço da baliza.
- Estacionamento simples: O exame agora é focado no percurso em via pública e termina com o estacionamento do veículo junto ao meio-fio da calçada.
- Aulas práticas: A carga horária mínima obrigatória foi reduzida de 20 para 2 horas/aula de direção.
- Pontuação: O candidato pode perder até 10 pontos durante o exame. Erros que não são infrações de trânsito, como o motor apagar ("morrer"), não causam mais a reprovação automática.