As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos ganharam um novo capítulo de tensão nesta semana. O governo de Donald Trump concluiu uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras e propôs um tarifaço de 25% sobre diversos produtos exportados pelo país, ao alegar desequilíbrios que afetariam empresas americanas. A medida ainda será submetida a uma etapa de consulta pública.
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Além da sobretaxa de 25% anunciada na terça-feira, o governo norte-americano propôs a criação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre mercadorias importadas de 60 países, entre eles o Brasil. Segundo os Estados Unidos, a medida é resultado de uma investigação que apontou supostas falhas no combate à entrada e à comercialização de produtos fabricados com trabalho forçado. O Brasil foi enquadrado na faixa mais alta da nova cobrança. Na avaliação do governo americano, o país não tem mecanismos suficientemente eficazes para impedir a circulação de mercadorias produzidas nessas condições.
A iniciativa foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A alegação é de que algumas práticas do Brasil são desleais. Dentre as práticas citadas, estão o comércio digital e o desmatamento ilegal. Alguns itens como carne bovina, café, terras raras, outros metais e peças de aeronaves estão excluídos da nova tarifa, que poderá entrar em vigor em 15 de julho.

“Não podemos aceitar o tratamento dos Estados Unidos”, reage Lula
Durante reunião ministerial realizada ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ter sido surpreendido pelos anúncios do governo americano e criticou a postura adotada pelos Estados Unidos em relação ao Brasil.
– A nossa luta é para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana – declarou.
Ao longo do encontro, frases como "Pix é do Brasil" e "Brasil é soberano" foram exibidas em um telão. Sem citar nomes, Lula também criticou pessoas que, segundo ele, estariam tentando "trair o país" por interesses eleitorais.
– Não há disputa eleitoral, em qualquer país do mundo, que possa dar valor a alguém que trai a pátria. Alguém capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos – afirmou.

Impactos econômicos
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, alertou para os prejuízos que a taxação pode causar caso seja efetivamente implementada. Segundo ele, os setores mais afetados seriam os de máquinas e equipamentos, que possuem maior valor agregado e forte participação na pauta exportadora brasileira.
– Os setores mais atingidos seriam os de máquinas e equipamentos, que têm valor agregado. E traz muito prejuízo, como disse o vice-presidente [Geraldo Alckmin], para emprego, para renda, para as indústrias – disse, ao destacar que a medida ameaça diretamente cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.
Soberania e Pix fora da negociação
Márcio Elias Rosa também afirmou que não haverá recuo em temas considerados estratégicos para a soberania nacional. Entre eles está o Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central e citado por autoridades americanas durante a investigação comercial.
– O Pix não está na mesa de negociação, não há hipótese para isso. Nós vamos, sempre que possível, demonstrar não apenas para o governo norte-americano, mas também para o povo brasileiro, qual é a linha de esclarecimento e de defesa do Brasil – disse.
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