Instituto de Previdência apresenta cálculo atuarial com déficit de R$ 3,9 bilhões em Santa Maria

Instituto de Previdência apresenta cálculo atuarial com déficit de R$ 3,9 bilhões em Santa Maria

Foto: Júlia Vissotto (CVSM)

O Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Santa Maria (Ipassp) apresentou os resultados da avaliação atuarial referente a 2025, que apontou déficit previdenciário de R$ 3,9 bilhões. O estudo calcula a situação financeira da previdência municipal e projeta a capacidade do sistema de pagar aposentadorias e pensões no futuro. Os números foram apresentados pelo atuário Guilherme Walter, sócio da empresa Lumens Atuarial, responsável pelo estudo técnico, em evento realizado na Câmara de Vereadores do município nesta quarta-feira (28).


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O déficit atuarial passou de R$ 4,5 bilhões para aproximadamente R$ 3,9 bilhões, conforme o levantamento. Na prática, isso significa que o instituto tem menos recursos do que o necessário para garantir o pagamento de todos os benefícios previdenciários futuros dos cerca de 6 mil segurados pelo sistema. Hoje, o instituto tem R$ 387,5 milhões em caixa, valor acumulado ao longo dos anos para custear aposentadorias e pensões. Porém, o total necessário para cobrir todos os compromissos futuros do instituto chega a R$ 4,287 bilhões.O resultado do cálculo atuarial, portanto, representa a diferença desse valor.

– O resultado atuarial, sem considerarmos o plano de amortização, resulta em uma diferença negativa de R$ 3,9 bilhões – explicou Walter durante a apresentação.


O que é déficit atuarial

O déficit atuarial funciona como uma projeção de longo prazo. Ele calcula quanto o instituto precisaria ter guardado hoje para conseguir pagar todos os benefícios previdenciários futuros dos servidores ativos, aposentados e pensionistas. Esse cálculo leva em consideração fatores como idade dos servidores, expectativa de vida, tempo de contribuição, número de aposentados, regras previdenciárias e projeções econômicas.

Apesar do déficit bilionário, o estudo aponta que o instituto apresenta equilíbrio atuarial formal. Isso acontece porque existe um plano de amortização aprovado em lei para cobrir esse déficit ao longo das próximas décadas. O modelo prevê uma alíquota suplementar de 50% sobre a folha dos servidores ativos, além de aportes financeiros anuais feitos pela prefeitura. Somente em 2026, esses aportes devem chegar a R$ 94 milhões.

Segundo Walter, se todos os pagamentos previstos forem realizados corretamente até o fim de 2056, como prevê o cronograma, o déficit atuarial estaria equacionado. Na prática, o plano funciona como um parcelamento de longo prazo do déficit previdenciário.

– Existe um equilíbrio atuarial, mas esse equilíbrio decorre da existência do plano de amortização. Estamos falando de um plano extremamente pesado, talvez o mais pesado do Rio Grande do Sul. Isso traz uma preocupação importante: até quando haverá capacidade financeira para honrar esses valores – afirmou Walter.


Entenda o Plano de Amortização:


Análise financeira mensal*

  • Receita total de contribuições: R$ 7,7 milhões
  • Despesas (aposentadorias e pensões): R$ 21 milhões 
  • Falta financeira: - R$ 13,3 milhões 
  • Taxa de dependência: 1,34 ativos para cada benefício 

*O levantamento da empresa levou em consideração os números de julho de 2025


Entrada de novos servidores divide análise entre impacto financeiro e atuarial

Durante a apresentação, representantes de sindicatos questionaram o impacto da redução no ingresso de novos servidores efetivos sobre a sustentabilidade do Instituto de Previdência. Ao responder, o atuário Guilherme Walter afirmou que o debate precisa considerar duas perspectivas: a financeira e a atuarial. Segundo ele, do ponto de vista financeiro, a entrada de novos servidores ajuda o instituto, já que aumenta a arrecadação com contribuições dos trabalhadores e da prefeitura. Porém, na análise atuarial, que projeta receitas e despesas futuras do sistema, o efeito pode ser inverso caso não haja atualização das regras previdenciárias.

Walter explicou que muitos novos servidores ainda ingressam no sistema com regras antigas de aposentadoria, consideradas mais custosas ao longo do tempo, especialmente diante do aumento da expectativa de vida da população:

Hoje, trazer novos servidores ajuda financeiramente o instituto no curto prazo, mas existe uma forte tendência de agravar o déficit atuarial se não houver adequação das regras previdenciárias.


Avaliação é obrigatória

A avaliação atuarial é um estudo obrigatório realizado anualmente pelos regimes próprios de previdência dos municípios. Os dados apresentados pelo Ipassp serão encaminhados ao Ministério da Previdência e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS).


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