Biometria em catracas de ônibus de Santa Maria identifica mais de mil fraudes com cartões de idosos e estudantes e gera bloqueios

Biometria em catracas de ônibus de Santa Maria identifica mais de mil fraudes com cartões de idosos e estudantes e gera bloqueios

Foto: Deni Zolin (Diário)

A Associação dos Transportadores Urbanos de Santa Maria (ATU) retomou em março o sistema de biometria nas catracas eletrônicas dos ônibus e, desde então, já registrou mais de mil casos de fraudes de passageiros que usavam o cartão de outra pessoa. Segundo o diretor da ATU Edmilson Gabardo, a maioria dos casos foi de pessoas que passaram na roleta com o cartão de idosos, que não pagam a tarifa de R$ 6,65 (no cartão) ou de R$ 7,25 (dinheiro). Em 2º lugar, vem o uso indevido de cartões de estudante, que têm meia passagem.

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De acordo com Gabardo, essas fraudes são detectadas pelo sistema de forma automática, pois a cada passagem pela catraca eletrônica, o sistema tira pelo menos 5 fotos do usuário. Se a imagem não bate com a registrada no cartão, o sistema dá um alerta e, no dia seguinte, um funcionário da ATU faz a checagem se a foto do usuário corresponde com a da pessoa registrada no cartão. Se comprovada a fraude, o cartão é bloqueado temporariamente.

– Quando aparece no validador (da roleta) a mensagem de cartão bloqueado, a pessoa tem de pagar a passagem e, depois, ir até a ATU para receber as informações e saber como proceder para o desbloqueio. E em caso de reincidência, esse cartão é encaminhado ao setor competente da prefeitura e fica bloqueado por 30 dias. Depois disso, em novas reincidências, há punições, como 90 dias e até o cancelamento total do direito – disse Gabardo.

O diretor da ATU afirmou que o sistema chegou a operar até 2020, mas, devido à queda de passageiros na pandemia, o contrato não foi renovado por conta do custo elevado. Segundo ele, demorou para retomar a biometria porque o sistema foi alterado, precisando trocar todas as câmeras e validadores das catracas de todos os ônibus.

– No final de março, o novo sistema se consolidou e já identificamos mais de mil usuários usando indevidamente o cartão, principalmente de idosos que emprestam o cartão para filho ou filha, amigos. Não temos confirmação, mas até cartão de idoso falecido que estaria sendo usado, e aí identificamos isso e é feito o bloqueio do cartão – disse Gabardo.

R$ 18 milhões de subsídio

Questionado sobre o pagamento dos salários, Gabardo disse que as empresas conseguiram pagar os funcionários em dia neste mês, mas alerta que a prefeitura já tem dívida de R$ 18 milhões por conta do subsídio da tarifa que não foi repassado em 2025 e 2026.

– Estamos todo mês empurrando com a barriga algumas contas, e tivemos todos os investimentos cancelados. Continuamos conversando com o município. Se continuar assim, quando chegar ao fim do ano, quando as obrigações dobram, vamos ter outra crise. A prefeitura já nos deve R$ 18 milhões e não sinalizou com previsão de pagamento. É uma conta de R$ 1,5 milhão por mês, em que a prefeitura diz que não tem essa disponibilidade no Orçamento – afirmou Gabardo, lembrando que o custo do transporte subiu por conta da alta do diesel, cujo litro custava R$ 5,30 antes da guerra, e agora está em R$ 7.

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