Quanto a Rota arrecada em cada praça de pedágio da RSC-287

Quanto a Rota arrecada em cada praça de pedágio da RSC-287

Foto Vinicius Becker, arquivo, 17/02/2026

Pedágio de Santa Maria, no Distrito de Palma, é o terceiro mais movimentado entre as cinco praças de cobrança da RSC-287. Ponte caída ali perto, no Arroio Grande, prejudicou movimento.

Os motoristas que cruzam pelos cinco pedágios da RSC-287 e pagam pedágios sempre têm curiosidade de saber, afinal, qual a arrecadação da Rota de Santa Maria e o que é feito com os valores pagos. Um levantamento feito pelo Diário com base nos relatórios mensais publicados no site da Agergs aponta que, em 2025, a arrecadação total foi de R$ 116,9 milhões nos cinco pedágios da rodovia, um crescimento de 26% sobre 2024, quando o tráfego e a arrecadação foram impactados devido aos bloqueios e problemas provocados pela grande enchente. De 2023 para 2024, o tráfego diário na estrada teve forte queda (-9,8%), mas voltou a crescer em 2025 - alta de 13,2% sobre 2024 e um aumento de 2,1% no volume de veículos de 2023 para 2025. (veja os números de cada praça no quadro abaixo)

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Das praças de cobrança, a mais movimentada continua sendo a de Venâncio Aires (P2), com média de 13.330 veículos por dia pagando pedágio em 2025, seguida pela de Candelária (P3), com 8.816 veículos diários, e de Santa Maria (P5), no Distrito de Palma, com 8.428 veículos por dia - poderia ter sido maior se não houvesse as pontes metálicas no Arroio Grande. Como as duplicações já entregues, incluindo 12 quilômetros em Santa Cruz do Sul e Tabaí, e as que estão sendo realizadas atualmente, entre Santa Cruz e Venâncio, beneficiam motoristas daquelas regiões e dos trechos mais movimentados, motoristas e autoridades de Santa Maria também cobram que a região também seja beneficiada. Até porque, só em 2025, o pedágio de Santa Maria arrecadou R$ 21 milhões. Se contar os últimos 3 anos, foram R$ 56 milhões pagos pelos motoristas que passam pelo Distrito de Palma, na saída de Santa Maria para Porto Alegre.


Governo do Estado vai incluir no contrato a antecipação da duplicação da RSC-287 na região de Santa Maria

 
Desde o ano passado, intensificou-se a cobrança de Santa Maria e região sobre o governo do Estado e a Rota de Santa Maria para antecipar a duplicação, ao menos, nos 25 km entre Santa Maria e o Trevo do Santuário, que dá acesso à Quarta Colônia, até por ser o trecho mais movimentado na Região Central. É que pelo contrato da concessão, essa obra está prevista para ocorrer somente daqui a 14 anos, em 2040. No início deste ano, a pressão surtiu algum efeito, com o secretário estadual da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, vindo a Santa Maria e prometendo incluir no contrato a antecipação da duplicação, o que deve ser definido até agosto. Mas isso provavelmente incluirá aumento de tarifa de pedágio. Porém, ainda não há detalhes de que ano seria feita a duplicação e do impacto dessa obra na tarifa - muito menos a certeza de que haverá mesmo essa antecipação.

 
Um dos líderes desse movimento pela antecipação das obras, o presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Santa Maria, Andrei Nunes Lacerda, ressalta que as lutas atuais são por mais obras de manutenção da Rota para melhorar a qualidade da rodovia de Santa Maria a Novo Cabrais, especialmente na região de Restinga Sêca e Agudo, e pela real duplicação de Santa Maria à Quarta Colônia.

 
- A situação da rodovia de Novo Cabrais para cá está ruim e nos preocupa, ainda tem buracos e ondulações, o que não poderia numa rodovia em que pagamos pedágios. Duas semanas atrás, cobrei da Rota, e obras foram feitas, mas ainda é preciso melhorias. E preocupa a situação dos desvios em Candelária e Mariante, pois há previsão de enxurrada de 700 milímetros no segundo semestre. Imagina, dois anos depois, ainda temos esses desvios. E quanto à duplicação, Santa Maria e região precisam seguir mobilizadas e cobrando para antecipar pelo menos de Santa Maria à Quarta Colônia - diz Lacerda.


 
Integrante da Frente Parlamentar pela Duplicação da RSC-287, o vereador Sidi Cardoso (PT) ressalta que, pelo volume de tráfego e a contribuição de Santa Maria para a arrecadação da Rota, a cidade merece mais atenção com obras.

 
- Simplesmente, por causa das enchentes, eles limaram do cronograma a duplicação do trecho urbano de Santa Maria, de 1,5 km entre o trevo do Aeroporto e a Base Aérea, que já era para ter sido entregue em agosto de 2025. Nós deveríamos retomar essa cobrança, pois eles empurram a definição dessa obra para ser decidida no reequilíbrio do contrato em agosto. Depois, tem eleição. Eles estão ganhando tempo e empurrando para o próximo governo. Temos de cobrar a duplicação do Trevo do Aeroporto até a nova ponte do Arroio Grande e, depois, até o Trevo do Santuário, até pelo volume de dinheiro que estamos pagando no pedágio de Palma, que antes nem existia. Nesse sentido, temos de fazer um levante de Santa Maria, com a Cacism, UFSM e forças vivas - diz Cardoso.


O QUE JÁ FOI FEITO E O QUE ESTÁ PREVISTO

 
Desde que assumiu os 204 km da RSC-287 entre o Trevo do Aeroporto de Santa Maria a Tabaí, em agosto de 2021, a Rota já fez reparos profundos em boa parte da rodovia e vários investimentos e melhorias. Em 2025 e neste ano, entregou 12 km duplicados, sendo 6 km nos trechos urbanos de Santa Cruz do Sul e Tabaí (com um ano de atraso) e outros 6 km em trecho rural de Tabaí (que deveriam ser entregues só em 2027). Porém, a Rota já deveria ter duplicado os trechos urbanos de Santa Maria, Paraíso do Sul, Novo Cabrais e Candelária até agosto de 2025, além de terceiras faixas entre Santa Maria e Novo Cabrais, o que não foi feito. Atualmente, a Rota está duplicando mais 10 km entre Santa Cruz do Sul e o pedágio de Venâncio, o que deve ser concluído ainda este ano. Além disso, pelo contrato, tem de entregar duplicados os 130 km entre Novo Cabrais e Tabaí. Já de Novo Cabrais a Santa Maria, o contrato prevê duplicação entre 2040 e 2042 - ou antes disso, mas somente se o trecho atingir volume de tráfego de 18 mil eixos por dia, o que aciona o chamado gatilho do contrato, exigindo a duplicação imediata.

 
O Diário procurou a Rota e a Secretaria da Reconstrução do Estado para falar sobre os números e as cobranças, mas ambas informaram que devem falar sobre o assunto nos próximos dias.

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