Homeopatia na política de saúde

Homeopatia na política de saúde

Mauricio Scopel Hoffman


A homeopatia tem sido reavaliada por autoridades científicas e sanitárias em vários países. Recentemente foi o caso da Espanha, onde revisões recentes concluíram que não há evidência clínica consistente, levando a restrições regulatórias. 

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O movimento acompanha decisões de outros sistemas de saúde. No Reino Unido, o NHS (o “SUS” de lá) deixou de recomendar a prática por falta de evidência robusta, concluindo que seria “dinheiro jogado pela janela”. Na França, o reembolso público foi retirado após avaliação semelhante. 

No plano europeu, academias científicas afirmaram que os efeitos observados são explicáveis por placebo ou limitações metodológicas, recomendando que sistemas públicos não financiem intervenções sem comprovação rigorosa. 

Esse reposicionamento não se dirige a profissionais ou pacientes, mas reflete um princípio central da medicina contemporânea: alinhar práticas às melhores evidências disponíveis e calcular custo-benefício na hora de implementar uma intervenção com dinheiro público.


Teoria e evidência

A homeopatia baseia-se em dois princípios: “semelhante cura semelhante” e a ideia de que diluições aumentam o efeito terapêutico. Esses conceitos entram em conflito com conhecimentos consolidados da química, da física e da farmacologia. 

Muitas preparações são tão diluídas que não contêm moléculas da substância original. Para a homeopatia, isso não seria um problema, pois o modelo pressupõe que a água possui “memória”, uma ideia que parecia plausível à época em que a prática foi criada. 

No entanto, essa hipótese não encontra suporte no que se conhece hoje sobre o comportamento das moléculas de água. No campo clínico, revisões sistemáticas mostram que os efeitos da homeopatia não superam o placebo

Avaliações amplas não identificaram evidência confiável de eficácia para nenhuma condição. Isso não invalida a experiência subjetiva de melhora, frequentemente associada à relação terapêutica e à expectativa. 


Quem acredita em teorias da conspiração?

Teorias da conspiração são comuns e tendem a crescer em contextos de incerteza. Uma análise recente de diversos estudos na área mostra maior propensão entre pessoas com crenças pseudocientíficas, traços paranoides ou esquizotípicos, maior narcisismo e menor capacidade cognitiva média, bem como isolamento social. 

Essas características não definem indivíduos, mas indicam tendências. Em períodos eleitorais, marcados por medo, polarização e busca por explicações simples, esse padrão se torna mais relevante. O problema vai além da crença: associa-se à desconfiança institucional e à maior vulnerabilidade à desinformação

Mais do que corrigir fatos isolados, o desafio é oferecer explicações claras e compreensíveis, capazes de competir com narrativas simplificadoras em momentos de incerteza.

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