O aquecimento global é debatido há décadas. Uma pergunta legítima é: os modelos que previam o aquecimento estavam certos? Cientistas também quiseram testar isso. Quando as previsões feitas desde os anos 1970 são comparadas com o que realmente aconteceu, o resultado mostra que os modelos acertaram – e bastante.
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Um estudo liderado por Zeke Hausfather, publicado em 2019, avaliou modelos climáticos produzidos entre 1970 e 2007 e comparou suas projeções com as temperaturas observadas nas décadas seguintes. A análise mostrou que a maioria dos modelos previu com boa precisão o aumento da temperatura global associado às emissões de gases de efeito estufa geradas pela atividade humana.
Quando as previsões são comparadas corretamente – relacionando o aquecimento observado com o aumento real dos gases na atmosfera – os resultados mostram que os modelos climáticos estavam, em geral, certos. Isso indica que as projeções científicas têm sido ferramentas confiáveis para entender como o planeta responde às emissões humanas e o que fazer para evitar que catástrofes aconteçam.
Mitos comuns sobre a mudança climática
A mudança climática é um dos temas científicos mais discutidos do mundo, mas também um dos mais cercados por desinformação. Muitos argumentos repetidos no debate público parecem plausíveis à primeira vista, mas não resistem ao confronto com as evidências. Um mito frequente diz que o clima da Terra sempre mudou naturalmente, portanto o aquecimento atual seria apenas mais um ciclo.
De fato, o clima já variou ao longo da história do planeta. A diferença é que o aquecimento atual ocorre muito mais rápido e “coincide” com o aumento abrupto das emissões humanas de dióxido de carbono.
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Outro argumento comum afirma que cientistas não concordam entre si. Na realidade, diversas revisões científicas mostram um consenso muito alto: a grande maioria dos pesquisadores que estudam o clima concorda que o aquecimento atual é causado principalmente pelas atividades humanas. Também se diz que pequenas mudanças de temperatura não teriam importância. No entanto, mesmo aumentos modestos na temperatura média global alteram padrões de chuva, intensificam eventos extremos e afetam ecossistemas e produção de alimentos.
Uma nova vacina brasileira contra dengue
A dengue é uma das doenças infecciosas que mais cresce no mundo. Nas últimas décadas, o número de casos aumentou fortemente em regiões tropicais, tornando urgente o desenvolvimento de vacinas eficazes. Um estudo publicado na revista Nature Medicine avaliou a vacina contra dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan em um grande ensaio clínico com mais de 16 mil participantes no Brasil.
Pessoas entre 2 e 59 anos foram acompanhadas por cinco anos. Os resultados mostraram eficácia de cerca de 65% na prevenção da dengue sintomática e aproximadamente 80% de proteção contra formas graves da doença ou com sinais de alarme. A vacina também apresentou bom perfil de segurança, com efeitos adversos geralmente leves, como dor de cabeça. Uma vantagem importante é que o esquema envolve apenas uma dose, o que pode facilitar campanhas de vacinação em larga escala e ampliar a cobertura em países tropicais.