Foto: Pablo Zambelli (Arquivo)
Apesar da redução do analfabetismo no Brasil, que caiu para 4,9% e ficou abaixo de 5% pela primeira vez, ainda são 8,4 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever, segundo a pesquisa PNAD Contínua Educação, divulgada pelo IBGE. Porém, há outros dados bem preocupantes revelados pela pesquisa e que indicam uma tragédia social anunciada para o futuro.
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Entre eles, o fato de que 25% dos jovens entre 14 e 29 anos no Brasil não têm interesse em estudar. Outro é que, nessa mesma faixa etária, 7,7 milhões não haviam completado o Ensino Médio em 2025, seja por terem abandonado a escola antes do término dessa etapa ou por nunca a terem frequentado.
A pesquisa do IBGE em detalhes
Um em cada quatro jovens (25,6%) de 14 a 29 anos não tem interesse em estudar
- Motivos do abandono escolar – Cerca de 43% dos jovens de 14 a 29 anos abandonaram ou nunca frequentaram a escola por necessidade de trabalhar em 2025. Esse foi o motivo mais citado. O resultado representa um leve aumento em relação a 2024, quando era de 42%. O segundo motivo foi não ter interesse em estudar, que alcançou 25,6% dos casos, confirmando a reversão da tendência de queda observada desde 2024. “O aumento em relação aos últimos anos pode sinalizar um desalinhamento entre as expectativas dos jovens e o modelo educacional”, diz o IBGE.
- Gravidez – Os demais motivos permaneceram estáveis ou apresentaram variações modestas: gravidez foi mencionada por 9,9% dos jovens; problemas de saúde permanente, por 4,4%; realizar afazeres domésticos ou cuidar de pessoas, por 3,9%; e não ter escola na localidade, vaga ou turno desejado, por 2,8%.
Maiores percentuais de abandono escolar são a partir dos 16 anos
- 7,7 milhões sem Ensino Médio – Entre jovens de 14 a 29 anos, 7,7 milhões não haviam completado o Ensino Médio em 2025, seja por terem abandonado a escola antes do término dessa etapa ou por nunca a terem frequentado. Desse total, 59,8% eram homens e 40,2% eram mulheres. Por cor ou raça, 26,4% eram brancos e 72,8% eram pretos ou pardos.
- Idade em que evadem – Ao analisar a idade em que esses jovens de 14 a 29 anos deixaram a escola, os maiores percentuais de abandono ocorreram a partir dos 16 anos: 18,5% deixaram a escola nessa idade, 20,0% aos 17 anos e 17,6% aos 18 anos. Ainda assim, o abandono escolar precoce continua presente nas idades correspondentes ao Ensino Fundamental: 7,5% haviam deixado a escola até os 13 anos e 7,6% aos 14 anos. “Os percentuais de abandono antes dos 14 anos são equivalentes a 15,1% do total. São elevados e caracterizam-se como elementos fundamentais na precarização da formação do indivíduo. Esse dado representa saídas durante o Ensino Fundamental, etapa que deveria estar plenamente universalizada. Esse padrão se manteve semelhante entre homens e mulheres e entre as pessoas de cor branca e preta ou parda”, diz o IBGE. O grande marco da transição escolar continua sendo a idade de 15 anos, que pode estar ligado tanto a mudanças na estrutura curricular quanto à percepção de utilidade do Ensino Médio ou à necessidade de entrada precoce no mercado de trabalho. “Nesse ponto, o percentual de abandono escolar quase dobra em relação aos 14 anos, alcançando 13,5%”.