Foto: Vinicius Becker (Diário)
Rua Carlos Óscar Lang, na região central de Santa Maria
Ao caminhar pela Rua Carlos Óscar Lang, na região central de Santa Maria, o cenário destoa do concreto predominante em outras áreas da cidade. Lá, as copas das árvores se cruzam de ponta a ponta, criando um túnel verde que oferece sombra a quem passa. Essa realidade, no entanto, ainda é uma exceção em diversos bairros. Em resposta, a prefeitura lançou o projeto “Calçada Verde”, que permite ao cidadão solicitar, de forma gratuita, o plantio de uma árvore em frente ao seu imóvel.
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A iniciativa busca enfrentar o desafio da manutenção das mudas. Segundo a secretária adjunta de Meio Ambiente, Charlene Stefanel, o projeto funciona como uma via de mão dupla, onde o Executivo realiza o plantio técnico e o morador assume o compromisso do cuidado básico.
– A ideia surgiu para cultivar essa cultura do pertencimento. O morador nos auxilia principalmente no nosso maior gargalo, que é a rega, enquanto a prefeitura fica responsável pela manutenção e pelas podas de formação – explica Charlene.
Como solicitar o serviço
O processo para solicitar o serviço é totalmente digital e gratuito, prioritário para pessoas físicas. Ao ser questionada sobre a burocracia da iniciativa, a secretária adjunta garantiu que o sistema “é muito simples”. O interessado deve acessar a Área do Usuário no site da prefeitura, selecionar a opção "Calçada Verde" e preencher um formulário. A partir disso, é necessário anexar fotos da calçada e um comprovante de residência.
Charlene Stefanel esclarece que a implementação depende de critérios técnicos rigorosos previstos no Decreto 123/2025 – que estabelece regras para arborização urbana no município. Aspectos como a largura da calçada (mínimo de 2 metros para garantir acessibilidade), distância de esquinas, semáforos, garagens e redes de esgoto são avaliados antes do plantio.

No caso de condomínios, a solicitação deve ser acompanhada por uma autorização e declaração assinada pelo síndico, já que o plantio exige intervenção na área comum do passeio público.
Atualmente, a Secretaria de Meio Ambiente realiza vistorias para selecionar as espécies adequadas – divididas entre pequeno, médio e grande porte – garantindo que a nova árvore cresça de forma saudável e em harmonia com o passeio público.
Prazo após o pedido
Para garantir a sobrevivência das mudas, o cronograma do projeto respeita o ciclo natural das espécies. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, o prazo médio entre o pedido e a execução é de um mês, com o calendário de plantios iniciando em abril e estendendo-se até novembro. Este período é escolhido estrategicamente por ser o mais propício ao desenvolvimento das raízes, mas o sucesso da iniciativa depende diretamente da colaboração da comunidade.
Transformação e identididade
Ao observar o impacto de áreas verdes no cotidiano, percebe-se que, a importância das calçadas verdes não é apenas estética; ela define a identidade de um lugar. A professora aposentada Eloá Portes, de 77 anos, vive na Rua Carlos Óscar Lang desde os 15 – quando sua família escolheu a região para chamar de lar. Ela acompanhou de perto o crescimento da "calçada verde" que hoje é referência em Santa Maria. Através das décadas, refletidas nos cabelos brancos, Eloá viu as árvores moldarem a fama da rua.

Ao Diário, durante sua caminhada matinal, ela revela que o reconhecimento do local é imediato sempre que compartilha seu endereço:
– Todo mundo comenta quando pego um táxi e digo o destino: "Ah, é lá na Carlos Lang? Na rua bonita, naquela rua toda arborizada?". É um orgulho ver como as pessoas valorizam o verde e o ar puro que temos aqui – relata a moradora.
Segundo a moradora, esse bem-estar não é um privilégio restrito a quem vive ali, mas se estende a todos que cruzam a via diariamente. É comum encontrar pessoas praticando atividades físicas, como caminhadas e corridas, ou tutores que escolhem o trajeto para o passeio com seus animais.
Apesar da beleza, Eloá alerta para a diminuição do número de espécies ao longo dos anos, seja por temporais ou pela instalação de infraestruturas elétricas – um conflito que a prefeitura agora tenta minimizar com novas parcerias.

Arborização Segura: a parceria com a RGE
Além do projeto “Calçada Verde", o Executivo firmou, na última sexta-feira (10), um Termo de Cooperação Técnica com a distribuidora RGE para o programa Arborização + Segura. O foco é promover o manejo adequado da vegetação, evitando que o crescimento das árvores interfira na rede elétrica ou gere riscos à segurança.
Para o prefeito Rodrigo Decimo, o acordo traz segurança jurídica e melhora a qualidade de vida, garantindo uma estética agradável sem comprometer os serviços essenciais. Decimo projeta que essa união com a RGE gere resultados diretos no Calçada Verde, permitindo que os novos plantios ocorram de forma planejada e compatível com a fiação da cidade.
Plano de arborização em Santa Maria
Em outubro do ano passado, a prefeitura deu um passo decisivo para o planejamento ambiental da cidade com a assinatura do decreto de arborização. O documento estabelece diretrizes rígidas para o plantio, manejo e preservação de espécimes em espaços públicos, além de instituir a obrigatoriedade de que novos empreendimentos imobiliários realizem o plantio nos passeios públicos correspondentes.

A medida serve como base para a criação do futuro Plano Diretor Municipal de Arborização Urbana. Mais abrangente, o plano será elaborado a partir de estudos técnicos conduzidos em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), sob o acompanhamento do Ministério Público.
De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, as tratativas para a contratação desse diagnóstico avançaram: a expectativa é que a UFSM dê início aos levantamentos ainda no primeiro semestre deste ano.