Crise no IPE Saúde é pauta de audiência pública na Câmara de Vereadores de Santa Maria

Arianne Lima

Crise no IPE Saúde é pauta de audiência pública na Câmara de Vereadores de Santa Maria
Na busca por tratar sobre os recentes desdobramentos da crise no IPE Saúde, uma audiência pública ocorreu na Câmara de Vereadores de Santa Maria na noite desta sexta-feira. O encontro foi mediado pelo deputado e presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS), Valdeci Oliveira (PT).

DEBATE

Além de Oliveira, a mesa foi composta pelo presidente da Câmara de Vereadores de Santa Maria, Valdir Oliveira (PT) e a promotora de Justiça do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Giani Pohlmann Saad. A iniciativa, que é oriunda do Forúm Democrático de Desenvolvimento Regional, lotou o plenário.

– As audiências públicas são sempre muito importantes, porque trazem a angústia do cidadão que vive seus dramas com relação a uma questão tão importante como a saúde. E o Ministério Público do Rio Grande do Sul está muito empenhado na mediação junto com todos os atores, visando uma solução construída e harmonizada para a melhoria também da estruturação do IPE e do atendimento do usuário. É uma prioridade do Ministério Público neste momento – enfatiza Giani.

O objetivo do encontro foi ouvir usuários e usuárias do convênio em Santa Maria e região, gerando um dossiê a ser entregue aos órgãos responsáveis, posteriormente. O presidente da Câmara dos Vereadores de Santa Maria, Valdir Oliveira (PT), reflete sobre o importante papel da Casa do povo ao estar aberta e promover diversos debates. Ele cita os desdobramentos da audiência sobre a superlotação do Pronto-Socorro do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), também realizada na Câmara, como uma meta a ser atingida.

– Aqui tivemos relatos de pessoas que estão tendo problemas seríssimos de saúde e não conseguem ser atendidas pelo convênio. Isso não pode! Temos mais de 1 milhão de pessoas que dependem do IPE. Em Santa Maria, mais de 27 mil pessoas. E elas não conseguem agendar uma consulta, não conseguem fazer uma cirurgia, não conseguem atendimento. As pessoas pagam a vida inteira e na hora que precisam, não tem? Isso não pode continuar – afirma.

AUSÊNCIA

Durante a reunião, a ausência do presidente do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul (IPE), Bruno Jatene, foi justificada pelo presidente da ALRS aos presentes. Devido a um acidente familiar, Jatene não pode participar virtualmente do encontro. Mesmo com o imprevisto, Valdeci Oliveira avalia a audiência como positiva, reforçando que um amplo relatório deve ser encaminhado a todas as autoridades.

– Foi muito positiva também a presença do Ministério Público. A Giani também anotou todas as questões. Solicitei e vou oficializar a possibilidade de provocar o Tribunal de Contas para fazer uma auditoria urgente no IPE, porque precisamos saber o que está acontecendo. Não é só a questão dos atendimentos, dos problemas que estamos tomando conhecimento ou aquilo que a imprensa tem falado. A sociedade tem que saber como chegou a isso, para onde está indo o dinheiro, qual é a receita e a despesa dessa importante autarquia do Rio Grande do Sul – declara o presidente da ALRS.

No contexto atual, o IPE Saúde atende 980 mil usuários, e em Santa Maria são cerca de 27 mil pessoas que utilizam o serviço. No município, uma das entidades que busca um acordo com o Governo do Estado é o Complexo Hospitalar Astrogildo de Azevedo.

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ENTENDA O CASO

Em março deste ano, 28 hospitais dos 40 prestadores de serviços ao IPE Saúde no Estado ameaçaram suspender os atendimentos devido a uma divida de milhões gerada pelo IPE com essas instituições. Após uma série de reuniões, que encerram no mês de maio, o IPE apresentou as medidas previstas em um plano de reestruturação financeira da autarquia, que incluía a atualização das tabelas de medicamentos, diárias e taxas hospitalares.

Na terça-feira, um documento foi protocolado pelas entidades na Casa Civil, do Governo do Estado, em resposta coletiva ao anúncio do IPE de um pagamento extraordinário de R$ 150 milhões aos hospitais, para sanar parte de uma divida antiga de mais de R$ 600 milhões, e a divulgação de três novas tabelas de medicamentos, entre outros reajustes feitos no final do mês de maio.

Ao endereçar a minuta ao governador do Estado, Ranolfo Vieira Jr, as entidades deram um prazo de 24h para que todas as portarias e comunicados do IPE fossem suspensos, sob a possibilidade de rompimento de contrato e suspensão imediata de atendimentos eletivos a conveniados do plano de saúde.

Após obter conhecimento do documento, o Governo do Estado emitiu nota, convocando uma reunião com os representantes de federações na sexta-feira e pedindo que os atendimentos seguissem normalmente até a data. Na quarta-feira, os 28 hospitais, que assinam o documento, aceitaram seguir com a assistência, aguardando pelo encontro para definir o futuro do convênio.

Na sexta-feira, um acordo foi fechado entre o Governo e os representantes. No prazo de 30 dias, um estudo técnico deve ser desenvolvido para reajustar taxas e diárias. Entretanto, a tabela de medicamentos divulgada pelo IPE Saúde no final de mês de maio deve seguir a mesma.

por Arianne Lima – [email protected]

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