Foto: Vinicius Becker (Diário)
As obras de contenção na BR-158, na serra de Itaara, têm um prazo para terminar. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) confirmou que a entrega de toda a estrutura ocorrerá em dezembro deste ano.
O projeto recebe investimento superior a R$ 229 milhões em recursos federais. A intervenção busca estabilizar as encostas após os estragos causados pelas chuvas de 2024 e garantir a segurança do principal caminho entre Santa Maria e a região norte do Estado.
A obra iniciou em março de 2025, e é feita para evitar o bloqueio total da rodovia, uma situação semelhante ao que ocorreu na Estrada do Perau, que segue interditada até hoje. De acordo com o Dnit, sem a construção dos paredões de segurança, a rodovia corria risco de colapso.
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Em que pé anda a obra

O Diário percorreu o trajeto para observar as mudanças na prática. O trabalho da empresa Castilho se concentra no trecho que começa antes do posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) até a entrada da pedreira Brita Pinhal. A cerca de 500 metros da boate Corujão, uma etapa já apresenta estar concluída e com grama plantada nas encostas.
Na chegada ao viaduto do Vale Menino Deus, a cerca de 700 metros do ponto anterior, as máquinas trabalham na limpeza da vegetação. Logo em seguida, a menos de 100 metros após o viaduto, uma pequena obra na encosta já se encontra na fase final. O trecho mais extenso começa 200 metros à frente. No local, um grande paredão de contenção com quase dois quilômetros de extensão altera completamente a paisagem da rodovia para quem sobe a serra. Neste ponto, as obras já estão bem avançadas e equipes da construtora trabalham na colocação de manta e grades.
Dentro do perímetro urbano de Itaara, a construtora Pelotense realiza obras em dois pontos, próximos ao Clube Socepe e ao Parque Oásis, com foco na limpeza e contenção de taludes de terra. Quase em frente ao Oásis, o sistema de Pare e Siga funciona há mais de um mês. O trânsito não apresenta filas longas por causa de um desvio por dentro da cidade. Os motoristas entram na Rua dos Curiós e saem no final da via pela Socepe. A rota alternativa tem trechos de chão batido e passa ao lado de várias residências. Preocupados com o movimento e a poeira, os próprios moradores colocaram placas na rua para alertar os motoristas sobre o limite de velocidade de 40 km/h.

De acordo com o Dnit, o prazo precisou de ajustes ao longo dos meses. O órgão explica que a alteração ocorreu devido a fatores logísticos. O órgão aponta as restrições de horário para o funcionamento do Pare e Siga e a impossibilidade de parar o trânsito em dois trechos da serra ao mesmo tempo. Além disso, houve o acréscimo de serviços novos e a falta de espaço livre para a manobra de máquinas pesadas na estrada.
O projeto abrange 6,2 quilômetros de contenções, com alturas entre 3 e 40 metros. O trabalho envolve 228 operários. Alguns profissionais utilizam cordas de rapel para realizar perfurações nas pedras mais altas. Até o final da obra, as empresas vão aplicar 325 toneladas de aço, mais de 3.100 metros cúbicos de concreto e 133 quilômetros de barras de fixação nas rochas. O material de proteção com telas equivale ao tamanho de cinco campos de futebol.
Raio X da obra na BR 158
Para facilitar a compreensão do andamento e dos custos, confira os dados oficiais de cada etapa do projeto.
Trecho da Construtora Castilho

- Local das obras: Entre os quilômetros 315 e 322
- Situação atual: Atingiu 81% de execução física
- Investimento total: R$ 174,9 milhões
O que já está pronto: Limpeza da vegetação e grande parte das estruturas de contenção na parte superior da pista.
O que falta terminar: Concluir as paredes de concreto restantes, colocar a drenagem, aplicar acabamentos e realizar a estabilização final do solo.
Atenção no trânsito: O sistema de bloqueios pontuais podem ocorrer no sentido Santa Maria para Itaara ocorre com paradas de 20 a 30 minutos. As paradas acontecem cerca de quatro vezes ao dia e seguem até dezembro.
Trecho da Construtora Pelotense

- Local das obras: Entre os quilômetros 311 e 322, com foco de trabalho no perímetro urbano de Itaara (quilômetros 310 ao 313)
- Situação atual: Atingiu 46% de execução física
- Investimento total: R$ 54,7 milhões (deste valor, R$ 7,5 milhões são aplicados diretamente no trecho urbano)
O que já está pronto: Limpeza inicial da vegetação e construção parcial das paredes de proteção.
O que falta terminar: Concluir a fixação de barras de aço e a construção das barreiras finais.
Atenção no trânsito: O sistema de Pare e Siga no trecho urbano de Itaara tem previsão de operar até o mês de setembro.