Na última semana, o Projeto Esperançando inaugurou sua sede em espaço cedido pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) na Antiga Reitoria, no Centro da cidade. No total, o projeto auxilia 17 jovens em situação de acolhimento institucional, em idades entre 14 e 18 anos, para prepará-los para a vida adulta. Na equipe, são 27 pessoas entre professores, voluntários e bolsistas, dos cursos da área da saúde, educação e ciências humanas.
O acolhimento institucional é realizado por meio do Estado, promovendo a proteção e o acolhimento de pessoas com vínculos familiares rompidos ou fragilizados. Porém, ao completarem 18 anos, os jovens precisam deixar o acolhimento, e passar a promover seu próprio sustento, de acordo com a legislação. É neste momento que entra o Projeto Esperançando, preparando os jovens para a vida adulta.
— A parte mais importante é possibilitar que eles tenham o primeiro emprego, para terem autonomia, e ajudar no processo educativo deles desde o acolhimento até a maioridade — explica a professora do Centro de Educação da UFSM, Jane Schumacher.
As ações desenvolvidas
Foto: Marcelo Oliveira (Diário)
Com atividades semanais, são oferecidos cursos, palestras e atividades nos eixos de educação, emprego e moradia. Na frente de emprego, o projeto conduz a inserção no mercado de trabalho, para que ainda no abrigo os jovens possam ter autonomia financeira; na moradia são buscados espaços para os jovens seguirem após a maioridade; e na frente de educação auxilia nos princípios básicos de escrita e conversação.
O projeto possui parcerias ativas com empresas da cidade que possam proporcionar algum tipo de oportunidade aos jovens, sejam vagas de emprego ou cursos profissionalizantes. Uma delas, é o “Jovem Aprendiz”, que apresenta o primeiro emprego formal aos assistidos.
Uma das jovens que participa do projeto, de 16 anos, participou de curso de culinária a aprendeu princípios básicos de confeitaria. Para ela, a formação já representa uma possibilidade segura de emprego:
— Eu to me sentindo feliz, porque pode ser um emprego que eu vou continuar. Eu posso fazer os bolos para vender, e como eu tenho um filho, isso pode me ajudar também.
Outra jovem, de 17 anos, participa do Esperançando desde a criação do projeto. Ela conta que possui certificados em cursos de informática e culinária, mas, como profissão, sonha em ser juíza.
— Agora eu tô a procura de um trabalho, o que aparecer vai ser bom, mas eu sonho mesmo em ser juíza. Quero fazer o curso de Direito e ser juíza.
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Acolhidos em Santa Maria
Atualmente, são 26 jovens em situação de acolhimento institucional em instituições de Santa Maria. As idades são entre 12 e 17 anos, sendo 10 meninas e 16 meninos. Em alguns casos, os pais ou responsáveis lutam na Justiça para retomar a presença dos filhos em casa, sendo, se necessário, orientados pela Defensoria Pública, como explica o defensor Juliano Ruschel:
— Um dos maiores direitos das crianças e adolescentes previstos no Estatuto é a possibilidade de manutenção do convívio com a família de origem. Então nesses casos de acolhimento, a defensoria sempre busca que aqueles genitores que não tiveram atendimento do poder público, sejam devidamente atendidos, oferecendo políticas públicas para que eles corrijam seus erros e possam retomar o convívio com os seus filhos.
No momento, a Defensoria Pública solicita doação de roupas para esses jovens assistidos, que podem ser entregues no Juizado da Infância e da Juventude, no prédio do Fórum de Santa Maria (rua Alameda Buenos Aires, número 201, Bairro Nossa Sra. das Dores).
Ações no Prédio da Antiga Reitoria
Todos os 10 projetos de extensão da UFSM que haviam sido selecionados em 2021 já estão instalados no espaço de “Ações Comunitárias e Empreendedoras”, gerenciado pela Pró-reitoria de Extensão (PRE) da Antiga Reitoria. Segundo a PRE, há uma proposta para abrir novos espaços para os projetos da Universidade, que depende da finalização das obras de adequação do prédio, sem uma data definida.
Eduarda Costa, [email protected]
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