Safra de grãos deve movimentar R$ 6 bilhões na Região Central

Safra de grãos deve movimentar R$ 6 bilhões na Região Central

Foto: Vinicius Becker (Diário)

A safra de grãos 2025/2026 na Região Central do Estado deve movimentar cerca de R$ 6,6 bilhões na economia regional. Apesar da estiagem no início do ciclo e de uma quebra de 5,85% na produtividade da soja, a recuperação das lavouras tardias e o desempenho do arroz garantiram um resultado positivo. O volume colhido traz alívio financeiro aos produtores e deve refletir no comércio da região.

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Ao todo, a Região Central colheu cerca de 4,2 milhões de toneladas de grãos nesta safra – sendo 2,9 milhões apenas de soja. O volume representa uma forte alta em relação ao ciclo 2024/2025, quando a região colheu 1,8 milhão de toneladas (do total de 37,1 milhões de toneladas registradas em todo o Rio Grande do Sul). 

O balanço foi calculado com base nos dados de produtividade final e área total plantada. As informações foram antecipadas ao Diário pelo gerente regional da Emater, Guilherme Passamani, antes da divulgação oficial do levantamento estadual, prevista para esta quinta-feira (11).


Impacto econômico regional

O desempenho das principais culturas deve gerar um valor Bruto de Produção (VBP) estimado em R$ 6,6 bilhões na Região Central. No entanto, o montante não se traduz em lucro líquido para o produtor rural, que ainda precisa absorver os custos elevados com insumos, maquinários, combustíveis e o pagamento de financiamentos agrícolas.

Ainda assim, o presidente do Sindicato dos Lojistas (Sindilojas) Região Central, Ademir José da Costa, ressalta que uma safra deste porte gera um efeito cascata extremamente positivo para as cidades:

Quando um setor importante como o agro vai bem, toda a economia sente os reflexos. O dinheiro circula nos municípios, movimenta o comércio, os serviços e gera oportunidades. Santa Maria é um polo regional e acaba recebendo uma parte importante dessa movimentação econômica produzida no campo.


Recuperação da soja e a surpresa no arroz

Principal motor agrícola da região, a soja registrou uma leve redução de 0,5% na sua área plantada. A produtividade média fechou em 48 sacas por hectare – abaixo das 51 sacas projetadas no início do ciclo. Apesar do recuo, o resultado foi celebrado pela Emater devido ao potencial de perdas que o cenário inicial desenhava.

Estávamos prevendo um cenário desolante para os nossos agricultores novamente. Só que as condições climáticas nos meses de fevereiro e março foram bastante adequadas e essa safra apresentou uma excelente recuperação. As lavouras plantadas mais tarde conseguiram ter um retorno muito positivo e uma colheita bastante promissora – afirma o gerente regional da Emater, Guilherme Passamani.

Se a soja enfrentou sobressaltos, o arroz se consolidou como o grande destaque positivo do período. Mesmo com uma redução de 5,1% na área cultivada, a cultura registrou uma produtividade muito acima das estimativas da Emater, fazendo com que a produção regional superasse a marca de 990 milhões de quilos.


Reflexos nos municípios produtores

De acordo com o levantamento da Emater, os impactos mais duros da estiagem se concentraram nas lavouras semeadas mais cedo, afetando principalmente os municípios de Santiago, Tupanciretã, Capão do Cipó, Júlio de Castilhos e Formigueiro.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Tupanciretã, que carrega o título de maior produtor de soja do Rio Grande do Sul, sentiu de perto o peso dos extremos climáticos que assolaram o Estado nos últimos anos – como, por exemplo, das enchentes de 2024. O prefeito Gustavo Terra (Progressistas) explica que a estabilização da safra atual estanca uma sangria financeira histórica no município:

Nos últimos seis ou sete anos, Tupanciretã perdeu cerca de R$ 3 bilhões em riqueza por causa das frustrações de safra. Tivemos estiagens severas e também períodos de excesso de chuva que comprometeram a produção. Por isso, uma safra melhor representa um alívio importante para toda a economia do município.


Margem de lucro pressionada e cotações em queda

Se por um lado o volume de grãos trouxe otimismo, por outro a rentabilidade real continua tirando o sono de quem vive do campo. O produtor rural João Guilherme Trevisan, de 43 anos, cultiva há mais de duas décadas cerca de 900 hectares em Rincão do Peludo, no interior de Dilermando de Aguiar, divididos entre soja, milho e arroz. Ele confirma o cenário agridoce:

Foto: Vinicius Becker (Diário)

A nossa safra deste ano foi positiva. Conseguimos fechar uma média bem razoável, apesar do período de estiagem. O problema continua sendo o custo muito alto de produção, principalmente de fertilizantes, defensivos e combustível.

Além do encarecimento dos insumos – inflacionados no mercado internacional pelos conflitos no Oriente Médio –, os agricultores enfrentam a desvalorização das commodities. Dados da Cotrisel apontam que a soja, o arroz e o milho registraram quedas expressivas em suas cotações na comparação anual, o que faz com que a plena recuperação financeira do setor ainda dependa de preços mais atrativos e estabilidade climática nos próximos anos.


Cotação das principais culturas (10 de junho de 2025 e 10 de junho de 2026)

Cultura

Cotação 2025

Cotação 2026

Soja

R$ 67

R$ 56

Arroz

R$ 120

R$ 114

Milho

R$ 66

R$ 56​



Confira detalhes:

Cultura

Área plantada

Produtividade final

Arroz

118.043 hectares

8.439 kg/ha

Milho

50.555 hectares


5.870 kg/ha

Soja

1.037.762 hectares

2.880 kg/ha

*Os números apresentados pela Emater ainda podem sofrer pequenos ajustes nos próximos dias.

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