Foto: Vinicius Becker (Diário)
Soldado Stéfani Ribas Brunhauser atua no atendimento e acompanhamento de vítimas pela Patrulha Maria da Penha em Santa Maria.
A Patrulha Maria da Penha já atendeu cerca de 8 mil mulheres desde 2015, em Santa Maria. O serviço acompanha vítimas com medida protetiva por meio de visitas sem aviso prévio, para fiscalizar o cumprimento das decisões judiciais e reforçar a segurança. Somente nos três primeiros meses deste ano, 568 mulheres foram visitadas no município, conforme dados do próprio programa.
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Como atua a Patrulha

Após a concessão de uma medida protetiva, as equipes passam a atuar diretamente no acompanhamento das vítimas. O serviço realiza visitas e não há aviso prévio, o objetivo é verificar se o agressor está descumprindo a determinação judicial e garantir a segurança da vítima.
O trabalho começa na Rua Pinto Bandeira onde fica o 1º Regimento de Polícia Montada (1º RPMon), no pátio onde ficam dezenas de viaturas estacionadas, uma das alas leva a um corredor e a sala onde trabalha o soldado Maiquel Ferreira Batista e a soldado Stéfani Ribas Brunhauser, juntos eles visitam vítimas a três anos. A prova deste trabalho fica em um armário branco, onde centenas de pastas documentam milhares de histórias de agressões e junto as medidas protetivas vigentes. É com essas informações que eles traçam a rota do dia até as residências onde moram as vítimas.

Enquanto mostra o histórico, chama atenção o telefone de Stéfani, que não para. São vítimas que a chamam para tirar dúvidas, pedidos ou desabafos. Segundo ela, é assim e sempre. Para além de fiscalizar, ambos atuam também como uma rede de apoio maior que envolve amizade, escuta e orientação.
Após pegar o histórico da medida protetiva, o próximo caminho é a viatura. Ali, eles traçam a rota a ser seguida no dia. De forma aleatória, percorrem bairros e casas onde alguma vítima tenta seguir a vida. Deixando o quartel, o deslocamento é até uma destas casas e enquanto isso ambos relembram histórias marcantes durante as fiscalizações. Um deles foi o dia em que conseguiram ajudar uma mulher a mudar de cidade, após sofrer ameaças mesmo com o agressor preso.
– Ele dava dinheiro para ela comprar pão e outras coisas no bar, e ela começou a guardar os trocos. Quando juntou o valor que sabia que daria para pagar um táxi até Santa Maria, começou a agir. Veio direto para a delegacia fazer o registro e nunca mais voltou para casa – relembra Brunhauser que após levar a mulher para uma casa de passagem, os policiais ajudaram a deixar a cidade.
“Nós tivemos uma vítima em que o pai pedia para os filhos agredirem a mãe”

De acordo com Batista e Brunhauser, a violência acaba afetando também as crianças, normalmente filhos do casal. Um dos casos acompanhados por eles, o pai ensinava o próprio filho a agredir a mãe da mesma forma que ele a agredia.
– Nós tivemos uma vítima em que o pai pedia para os filhos agredirem a mãe; caso contrário, ele agredia os próprios filhos e a mulher. Então, além de apanhar do agressor, ela também era agredida pelos filhos.
Pensando nisso, como uma forma educativa, realizam um projeto direto em escolas de Santa Maria. O objetivo é diminuir os índices de feminicídios no futuro.
– Nós criamos um material adequado para cada faixa etária e começamos a trabalhar nas escolas, falando sobre os tipos de violência e mostrando esses comportamentos às crianças.
Confira as histórias da vítimas atendidas pelas Patrulha:
EM IMAGENS:
Como pedir ajuda:

Delegacia Online
- Para registros de ocorrências e pedidos de medidas protetivas
- Acesse o site: https://www.delegaciaonline.rs.gov.br
Centro de Referência da Mulher (CRM)
- Onde: Rua Tuiuti, 1.835, Centro
- Quando: Segunda a sexta, das 8h ao meio-dia e das 13h às 17h
- Informação:Telefone (55) 3174-1519 / WhatsApp (55) 99139-4971
- E-mail:[email protected]
Defensoria Pública de Santa Maria
- Endereço: Alameda Montevidé, 308, Sala 101, Nossa Senhora das Dores
- Quando: Segunda a sexta, meio-dia às 18h
- Telefone:(55) 3218-1032 e 129
- E-mail: [email protected]
- Em casos de emergência, disque 180 ou acione a Brigada Militar pelo 190
Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA)
- Onde: Avenida Nossa Senhora Medianeira, 91, Bairro Medianeira
- Quando: 24 horas.
- Telefone: (55) 3174-2225 ou 190
Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam)
- Onde: Rua Duque de Caxias, 1.159, Centro
- Quando: Segunda a sexta, das 8h30min ao meio-dia e das 13h30min às 18h
- Telefone:(55) 3174-2252 ou (55) 98423-2339
Rede de apoio
- Central de Atendimento à Mulher: 180
- Centro Integrado de Operações de Segurança Pública de Santa Maria (Ciosp): 153