“Temos 20% menos policiais do que em 2015”, diz delegado regional, que mesmo assim ressalta eficiência da Polícia Civil em Santa Maria

“Temos 20% menos policiais do que em 2015”, diz delegado regional, que mesmo assim ressalta eficiência da Polícia Civil em Santa Maria

Foto: Mateus Ferreira (Diário)

Delegacia da Mulher é uma das prejudicadas pela falta de servidores. Déficit impede o funcionamento 24 horas

A redução no número de policiais civis segue sendo um dos principais desafios da segurança pública no Rio Grande do Sul e já provoca impactos diretos no funcionamento das delegacias da Região Central. Em entrevista nesta quinta-feira (14) ao programa Bom Dia, Cidade!, da Rádio CDN, o delegado regional Sandro Meinerz detalhou a realidade enfrentada pela corporação em Santa Maria e nos municípios vizinhos, revelando que a região opera atualmente com cerca de 20% menos servidores do que tinha há 10 anos.

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As declarações do delegado ocorreram após entrevistas concedidas pelo vice-presidente da Sindicato dos Policiais Civis (Ugeirm Sindicato), Fábio Castro, e pelo representante da comissão de aprovados do concurso da Polícia Civil, Igor Carvalho, que alertaram para o déficit no efetivo e para a demora no andamento do concurso público em andamento no Estado. Segundo Meinerz, embora a situação já tenha sido ainda mais crítica no final de 2018 e início de 2019, o número atual de servidores continua abaixo do necessário para atender adequadamente a demanda crescente da população.

- Efetivamente, temos um déficit significativo de servidores. Não é o pior índice da história, porque já tivemos um cenário ainda mais complicado entre 2018 e 2019, mas seguimos abaixo da necessidade. Hoje, temos cerca de 20% menos servidores do havia em 2015 quando assumi a Delegacia Regional - confirmou.


Queda no número de policiais

Quando Meinerz assumiu a chefia da 3ª Região Policial do Interior, responsável por Santa Maria e região, o efetivo girava entre 245 e 247 servidores entre delegados e agentes policiais. Atualmente, esse número caiu para cerca de 200 policiais em atividade.

Meinerz explicou que a situação só não é mais grave porque a região recebeu, recentemente, policiais civis aposentados que retornaram ao trabalho por meio de programas estaduais.

- Recebemos 11 policiais civis aposentados que retornaram às atividades. Isso ajudou a preencher algumas lacunas importantes. Hoje a situação melhorou um pouco em relação ao final do ano passado, embora ainda existam aposentadorias acontecendo - relatou.

Mesmo com esse reforço, o delegado admitiu que a redução no efetivo limita a capacidade operacional da instituição.

- Se tivéssemos mais servidores, teríamos condições de atender um número maior de demandas, fazer mais investigações e tornar o trabalho da Polícia Civil ainda mais qualificado - disse.


Delegacias com apenas um policial

Um dos pontos mais preocupantes apresentados por Sandro Meinerz é a situação de cidades da Região Central que no momento contam com apenas um policial civil em atividade na delegacia local. Segundo ele, a realidade não é exclusiva da região. Em todo o Rio Grande do Sul, cerca de 80 delegacias funcionam com somente um servidor.

-  Temos atualmente, aqui na nossa região, três delegacias que contam com apenas um servidor policial: Silva Martins, Ivorá e Pinhal Grande. São municípios pequenos, mas nunca é aconselhável ter apenas um policial trabalhando - alertou.

O delegado regional explicou que a situação cria dificuldades operacionais constantes, já que o servidor precisa tirar férias, folgas compensatórias, atender ocorrências fora do expediente e participar de operações policiais.

- Toda vez que esse policial precisa se afastar por férias, folga ou qualquer outra situação, nós precisamos fazer um arranjo interno para não prejudicar o atendimento à comunidade.


Santa Maria ainda atrai servidores

Questionado sobre a sobrecarga dos policiais civis, Meinerz afirmou que Santa Maria enfrenta uma situação menos grave do que outras regiões do Estado devido ao interesse de muitos servidores em atuar na cidade.

- Santa Maria sempre foi um centro formador de pessoas e de servidores públicos. Existe uma procura muito grande de policiais que querem trabalhar aqui porque são daqui ou têm vínculos com a cidade - informou.

Apesar disso, há impactos diretos no trabalho diário.

-  A nossa região talvez não sinta tanto quanto outras regiões extremamente deficitárias, mas obviamente existe sobrecarga e limitação operacional - reconheceu.


Concurso público  

Outro tema abordado durante a entrevista desta quinta-feira foi o concurso público da Polícia Civil, apontado por representantes sindicais e aprovados como fundamental para reduzir o déficit de efetivo. Na avaliação de Meinerz, o processo deveria ser mais rápido e menos burocrático.

- O concurso da Polícia Civil caminha vagarosamente. Existe um concurso em andamento que poderia suprir um pouco dessa demanda, mas, infelizmente, provavelmente este ano ainda não teremos novos servidores à disposição - afirmou.

O delegado também criticou a chamada cláusula de barreira, mecanismo que limita o número de candidatos aptos a seguir para etapas como o Teste de Aptidão Física (TAF).

- Eu não sou favorável à cláusula de barreira. O concurso já elimina candidatos naturalmente no TAF, no exame psicotécnico e na academia de formação. Quando o processo demora muito, muita gente acaba desistindo ou indo para outros concursos - informou.

Segundo ele, a lentidão acaba agravando ainda mais a falta de efetivo.

- As pessoas não vão ficar esperando indefinidamente serem chamadas. Muitas seguem outros caminhos profissionais, e isso acaba prejudicando a reposição de servidores.


Delegacia da Mulher 24 horas

A situação da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) também foi tema da entrevista à Rádio CDN. Atualmente, a unidade de Santa Maria não funciona 24 horas, embora exista previsão legal para atendimento integral em delegacias especializadas.

Para Meinerz, na realidade atual da cidade, o mais eficiente seria ampliar o número de servidores para reforçar o acolhimento e a fiscalização de medidas protetivas, em vez de criar um novo plantão permanente.

- Hoje, já temos uma delegacia funcionando 24 horas por dia, que é a DPPA (Delegacia de Pronto Atendimento). Lá, também atendemos mulheres vítimas de violência doméstica e contamos com a Sala das Margaridas, criada justamente para um atendimento mais humanizado - disse.

Segundo ele, manter uma Deam aberta durante toda a madrugada exigiria um efetivo muito maior do que o disponível atualmente.

- Para fazer uma escala de plantão 24 horas seriam necessários pelo menos oito ou 10 servidores. Se eu tivesse dois policiais a mais hoje, utilizaria para reforçar o atendimento, visitar vítimas e fiscalizar medidas protetivas - disse.

O delegado regional também revelou que a estrutura física atual da Deam já está próxima do limite.

- Se eu recebesse mais servidores hoje, eu já teria dificuldade de espaço físico na atual estrutura da delegacia - revelou.

A Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), responsável pelos atendimentos 24 horas, também enfrenta limitações operacionais devido à falta de efetivo. Conforme Meinerz, mais servidores permitiriam ampliar diligências e investigações logo após o registro das ocorrências.

- Muitas vezes, os policiais no plantão estão atendendo a população, transportando presos, indo em locais de crime ou lavrando flagrantes. Se tivéssemos mais efetivo, poderíamos iniciar diligências imediatamente, ainda durante a madrugada - afirmou.

Segundo ele, o aumento dos casos de violência contra a mulher também ampliou significativamente a demanda sobre a DPPA.


Redução da criminalidade

Apesar das dificuldades estruturais, Sandro Meinerz destacou que Santa Maria vive atualmente um dos melhores momentos da história recente da segurança pública em relação aos indicadores criminais. No número de homicídios nos primeiros quatro meses de 2026 – cinco casos – é o menor para o período desde 2012.

- Tivemos redução significativa nos homicídios, roubos e até nos furtos. As pessoas estão se sentindo mais seguras para andar nas ruas - afirmou.

O delegado atribui os resultados ao trabalho integrado das forças de segurança, ao uso de tecnologia e ao aperfeiçoamento técnico das investigações policiais.

- Cercamento eletrônico, integração entre as instituições, uso de tecnologia e qualificação das investigações ajudaram muito. Mesmo com menos efetivo, conseguimos trabalhar melhor e de forma mais técnica - concluiu.


Confira a entrevista completa aqui

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Mateus Ferreira

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