Foto: Beto Albert (Arquivo/Diário)
O deputado estadual Beto Fantinel (MDB) reassumiu seu mandato na Assembleia Legislativa depois de mais de três anos na gestão da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social. Ele buscará a reeleição nas eleições de outubro, precisando deixar a pasta por exigência da lei eleitoral, que prevê a desincompatibilização dos cargos seis meses antes da eleição para os gestores públicos.
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Em entrevista à Rádio CDN (93.5 FM), na sexta-feira (3), Fantinel avaliou sua passagem pela secretaria como um período de profunda transformação nas políticas públicas sociais do Rio Grande do Sul, com foco na ampliação de investimentos e na criação de programas estruturantes:
– Saímos felizes pelo que podemos promover nos avanços das políticas públicas. Sempre existem desafios, mas o governo fez o maior investimento da história na área social, com mais de R$ 1,5 bilhão aplicado.
Segundo ele, o aumento significativo de recursos permitiu ampliar ações voltadas à redução da pobreza e à segurança alimentar, áreas que registraram indicadores positivos ao longo dos últimos anos.
– Chegamos ao menor patamar de extrema pobreza da história do Rio Grande do Sul, o que mostra que as políticas públicas têm efeito na vida das pessoas – afirmou.
Programas e ações de destaque
Durante a entrevista, Fantinel ressaltou iniciativas consideradas estratégicas dentro da política de desenvolvimento social. Entre elas, o programa “Família Gaúcha”, apontado como uma das principais inovações da gestão:
– É um atendimento personalizado para a superação da pobreza, com acompanhamento das famílias por até 24 meses. Sem dúvida, é o programa mais inovador que construímos.
Outro destaque foi a atuação em programas voltados à juventude e à inclusão produtiva, como o incentivo à aprendizagem profissional, como o Programa Partiu Futuro, criado em 2024.
– Pela primeira vez, o Estado passou a contratar jovens aprendizes diretamente, muitos deles de famílias que nunca tiveram acesso ao emprego formal. Isso ajuda a romper o ciclo de vulnerabilidade.
Além disso, o ex-secretário mencionou políticas voltadas à primeira infância, idosos e segurança alimentar, com a criação ou ampliação de serviços e estruturas de atendimento.
Desafios e momento crítico
Fantinel também relembrou o período das enchentes que atingiram o Estado em 2024, classificando o episódio como o momento mais desafiador de sua gestão. A tragédia deixou 185 mortos e 23 pessoas continuam, desaparecidas no Rio Grande do Sul, além de milhares de desabrigados e prejuízos em diversas regiões. Segundo ele, a dimensão da crise exigiu respostas rápidas do poder público e a reestruturação das ações na área social para atender a população atingida:
– Foi o momento mais difícil da minha vida. Não havia protocolos para uma situação como aquela, e tivemos que dar respostas rápidas diante de um cenário extremamente crítico.
Segundo ele, a experiência levou à criação de novos mecanismos e protocolos para melhorar a resposta a situações emergenciais no futuro.
Impactos para Santa Maria e região
O ex-secretário destacou que algumas iniciativas tiveram impacto direto em Santa Maria e municípios da região, como a implantação de centros de atendimento para idosos e programas de inclusão social.
Entre as ações citadas, ele destacou o “Centro Dia”, voltado ao atendimento de pessoas idosas durante o período diurno, garantindo cuidado especializado sem romper o vínculo familiar, além de programas direcionados ao apoio de famílias em situação de vulnerabilidade.
Fantinel também mencionou o início das obras no Instituto Estadual Olavo Bilac. A reforma, iniciada em 2025 e com continuidade prevista ao longo de 2026, conta com investimento de cerca de R$ 6 milhões e integra um conjunto de melhorias do governo do Estado na área da educação na região.
Principais programas citados
- Família Gaúcha (2025): Focado no combate à pobreza extrema e na promoção da autonomia de mais de 10 mil famílias em vulnerabilidade social, com prioridade para os atingidos pelas enchentes de 2024
- Mãe Gaúcha (2024): Atendimento a gestantes em situação de pobreza ou extrema pobreza para o fortalecimento de vínculos entre mãe e bebê.
- Partiu Futuro (2024): Contratação de jovens (14 a 22 anos) inscritos no CadÚnico e afetados pelas enchentes para atuarem como aprendizes em órgãos públicos.
- Volta por Cima (2023): Concessão de auxílio financeiro a famílias residentes em municípios com decretos de calamidade ou emergência pública homologados pelo Estado.
- Centro Dia (2006): Oferta de atendimento especializado a idosos dependentes e pessoas com deficiência. O programa conta com novos repasses iniciados em 2024.
Quem assume a pasta
A condução da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) passa agora às mãos de Gustavo Segabinazzi Saldanha, que ocupava anteriormente a posição de secretário adjunto na mesma pasta. Natural de Uruguaiana e graduado em Direito, Saldanha possui experiência em gestão pública e assessoramento político. Sua promoção à titularidade da secretaria tem como objetivo assegurar a continuidade dos programas de combate à pobreza extrema e das políticas de assistência social estabelecidas durante a gestão de Beto Fantinel.
Entrevista completa: