Foto: Brigada Militar (Divulgação)
Devido ao tempo curto, a captação de órgãos em hospitais do Estado costuma ser feita via transporte aéreo
Em dois anos, 1.759 gaúchos formalizaram o desejo de doar órgãos por meio da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo), serviço disponibilizado pelos Cartórios de Notas. Os dados foram divulgados pelo Colégio Notarial do Brasil (CNB).
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Gratuita e realizada de forma totalmente digital, a iniciativa permite que qualquer cidadão manifeste oficialmente sua vontade de doar órgãos após a morte, com validade jurídica. A ferramenta foi criada para ampliar o acesso à formalização desse desejo e fortalecer a conscientização sobre a importância da doação.
"Instrumento de cidadania"
Os números ganham relevância diante da demanda por transplantes no país. Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 1,7 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante de órgão no Rio Grande do Sul. Em todo o Brasil, a fila supera 48 mil pacientes. Por outro lado, em 2026 mais de 3 mil transplantes já foram realizados no país, dando sequência ao crescimento observado nos últimos anos. Entre os mais frequentes, estão os de rim e fígado, que seguem concentrando a maior demanda, tanto estadual quanto nacional.

A presidente do Colégio Notarial do Brasil no Estado, Rita Bervig, destaca que a ferramenta teve origem no Estado e posteriormente foi adotada em nível nacional:
– A Aedo representa um avanço importante porque permite que qualquer cidadão manifeste oficialmente sua vontade de forma simples, segura e totalmente digital. Ao longo desses dois anos, a ferramenta se consolidou como um instrumento de cidadania e de apoio à política pública de transplantes.
Apesar da manifestação formal de vontade, especialistas reforçam que a conversa com familiares continua sendo fundamental. Isso porque, no Brasil, a autorização da família ainda é necessária para que a doação seja efetivada após a morte.
Conforme o CNB, a Autorização foi criada pelo Colégio Notarial do Brasil e, posteriormente, regulamentada nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Como funciona o registro
O procedimento é realizado pela plataforma e-Notariado. O interessado acessa o portal oficial da Aedo, solicita gratuitamente um Certificado Digital Notarizado, participa de uma videoconferência de validação e assina eletronicamente o documento indicando quais órgãos deseja doar.
Após a conclusão do processo, a autorização passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, podendo ser consultada por profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes. O documento também pode ser revogado a qualquer momento pelo próprio cidadão.
Como funciona o processo de doação

Em Santa Maria, os transplantes de córnea, medula óssea e rim são realizados no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), no Hospital Unimed Santa Maria e no Hospital São Francisco de Assis.
O Husm também é responsável pela captação de órgãos na região. Em 2025, até a primeira semana de setembro, o hospital registrou a abertura de 10 protocolos de doação. Três famílias autorizaram o procedimento e duas recusaram. No período, foram captados 12 órgãos, sendo seis rins, três fígados, dois pulmões e um coração.