A chegada de quatro novos equipamentos recebidos pelo Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), por meio do programa Agora tem Especialistas, deve reforçar a realização de cirurgias e melhorar a assistência especializada prestada aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda neste ano. O conjunto de investimentos soma R$ 1,2 milhão e inclui um arco cirúrgico digital, um ultrassom portátil, uma mesa cirúrgica e um aparelho de anestesia.
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Segundo o superintendente do Husm, o médico Humberto Palma, os equipamentos terão impacto tanto na qualidade quanto na quantidade dos atendimentos realizados pela instituição, especialmente em procedimentos cirúrgicos que exigem apoio de imagem.
– São equipamentos que vão ser muito importantes do ponto de vista dos procedimentos cirúrgicos, especialmente aqueles que utilizam radiologia durante a cirurgia, como ortopedia e urologia. Para essas especialidades, eles vão nos dar mais segurança, melhorar os processos diagnósticos e também os procedimentos cirúrgicos. É difícil quantificar exatamente o impacto, porque a quantidade de cirurgias depende do porte e de vários fatores, mas, para o hospital e para os pacientes, isso será significativo. Isso também se reflete na questão do ensino, porque, como o nosso é um hospital universitário, toda e qualquer ação é voltada direta ou indiretamente para os residentes e alunos. Dessa forma, esses equipamentos vão atuar em todas as funções do hospital: assistência, ensino, extensão e até mesmo pesquisa, caso algum pesquisador queira utilizá-los – explica ele.
Além da qualificação da assistência, os novos aparelhos devem permitir o uso simultâneo de mais salas cirúrgicas e ampliar a capacidade operacional do hospital
– Hoje, em alguns momentos, uma sala precisa esperar outra terminar porque necessita do mesmo equipamento. Com a chegada desses aparelhos, a gente pode utilizar salas diferentes simultaneamente e, assim, aumentar a capacidade de cirurgias e de pacientes atendidos, que é o objetivo final do hospital universitário – afirma.
Ultrassom portátil reforça atendimento na UTI Neonatal

Entre os equipamentos recebidos, está o ultrassom portátil Mindray MX7, adquirido por R$ 94 mil e destinado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. Equipado com tecnologia de alta resolução, o aparelho amplia a capacidade diagnóstica da unidade e permite a realização de exames à beira do leito de recém-nascidos em estado crítico.
A tecnologia possibilita avaliações cerebrais e vasculares complexas, além de auxiliar em procedimentos invasivos, como punções venosas (introdução de dispositivos como agulha ou cateter flexível no interior de uma veia) e drenagens, com mais precisão e segurança. Atualmente, a UTI Neonatal realiza, em média, seis exames por semana com essa finalidade.

De acordo com Palma, a ideia é que o equipamento permaneça prioritariamente na unidade neonatal para garantir maior especialização das equipes.
– O objetivo inicial é que ele fique ali. São pacientes muito delicados para a gente ficar levando o equipamento para um lado e para o outro. A ideia é que a equipe tenha domínio completo das possibilidades tecnológicas do aparelho e, com isso, a gente especialize os profissionais naquele equipamento e melhore a precisão diagnóstica, dando mais qualidade na assistência desses pequenos que estão com a gente – destaca.
Primeiro arco cirúrgico digital da história do Husm
Principal destaque do conjunto de investimentos, o novo arco cirúrgico digital custou R$ 900 mil e é o primeiro equipamento com essa tecnologia incorporado ao Husm.
Conhecido como arco em C, ele produz imagens em tempo real durante os procedimentos cirúrgicos e auxilia os profissionais na localização de estruturas anatômicas e no posicionamento preciso de implantes, placas e parafusos.
A tecnologia é utilizada principalmente em cirurgias ortopédicas, vasculares e urológicas. Além da melhor qualidade de imagem, o equipamento reduz a exposição dos pacientes à radiação e amplia a precisão dos procedimentos.
Atualmente, o Husm possui três arcos cirúrgicos. A principal diferença em relação aos equipamentos já utilizados pelo hospital está na qualidade das imagens geradas e na redução da exposição dos pacientes à radiação. Com a tecnologia digital, é possível obter imagens mais precisas com uma dose menor de radiação.
Para Palma, o equipamento representa um salto tecnológico em comparação aos modelos analógicos utilizados até então.
– O arco cirúrgico digital é um salto na tecnologia. Você melhora a qualidade da imagem e as possibilidades de trabalhar essa imagem durante a cirurgia. Ele é utilizado, por exemplo, para verificar se placas e parafusos ortopédicos estão posicionados corretamente, em procedimentos urológicos para desobstrução das vias urinárias e em diversas cirurgias que exigem contraste para avaliar o fluxo sanguíneo. É um equipamento com grande variabilidade de uso e que agrega qualidade tanto aos diagnósticos quanto aos procedimentos cirúrgicos – acrescenta.
Mesa cirúrgica oferece mais versatilidade
Outro equipamento incorporado ao Bloco Cirúrgico foi a nova mesa cirúrgica, avaliada em R$ 110 mil. Segundo Graziela, a estrutura proporciona maior versatilidade para diferentes especialidades médicas e melhores condições de posicionamento dos pacientes.
Equipamento de anestesia amplia segurança dos procedimento
Já o novo aparelho de anestesia, que representou investimento de R$ 166 mil, já está em funcionamento no Bloco Cirúrgico. Conforme Graziela Cauduro, a tecnologia reforça a segurança da assistência anestésica.
Os novos equipamentos passam atualmente por um processo de capacitação das equipes do hospital. Segundo Palma, o treinamento envolve desde os profissionais responsáveis pela higienização até aqueles que utilizam diretamente as tecnologias.
– Cada equipamento tem uma peculiaridade no armazenamento, na higienização e na utilização. Estamos em fase final desse preparo. Alguns já estão sendo utilizados, mas estamos liberando gradativamente o uso, à medida que as equipes demonstram habilidade, para preservar os equipamentos e evitar problemas decorrentes de armazenamento, uso ou higienização inadequados – diz o superintendente.
Husm projeta ampliar em até 15% cirurgias e atendimentos, mas reforça importância da rede do SUS

O hospital projeta ampliar a realização de cirurgias, atendimentos ambulatoriais e tratamentos especializadosainda em 2026. A meta faz parte da estratégia da instituição para aumentar a capacidade de resposta à demanda por assistência de alta complexidade na Região Central do Estado.
Segundo o superintendente, o crescimento registrado nos últimos anos demonstra a capacidade do hospital de expandir os serviços oferecidos, embora a instituição não consiga, sozinha, eliminar as filas por procedimentos especializados.
– Husm é uma ilha de assistência na Região Centro-Oeste do Estado. Nós vamos sempre ampliar a nossa capacidade cirúrgica, esse é o objetivo, assim como a capacidade de atendimentos ambulatoriais, diagnóstico, tratamento e cuidado em todas as linhas que o hospital possui. O hospital isoladamente não consegue dar essa resposta a pleno, a ponto de acabar com as listas ou coisa parecida. Mas nós podemos trabalhar para aumentar. No último ano, ampliamos significativamente as cirurgias, os atendimentos ambulatoriais e os tratamentos oncológicos. A ideia é aumentar em pelo menos 10% a 15% neste ano – afirma.
Segundo Palma, além de mais tecnologia, equipamentos e profissionais, é fundamental que toda a estrutura do Sistema Único de Saúde atue de forma integrada.
– Para atingir esses objetivos, obviamente precisamos de mais tecnologia, mais equipamentos, mais profissionais e também do apoio da rede que compõe o SUS. O hospital universitário não é o SUS. Ele é uma parte do SUS. Então, o sistema precisa trabalhar em conjunto com os municípios, com os hospitais de menor porte e com as unidades básicas de saúde. É trabalhando em rede que vamos alcançar os resultados em saúde que a população precisa.
O superintendente também chama atenção para a importância da atenção primária na prevenção de internações e na redução da sobrecarga dos hospitais. Para ele, muitos pacientes acabam chegando às instituições hospitalares em busca de um atendimento que poderia ter sido realizado mais próximo de casa.
– Nós temos que lembrar que pelo menos 30% das internações poderiam ser evitadas se a atenção primária funcionasse plenamente. Esses pacientes acabam tendo que vir aos hospitais e, muitas vezes, chegam tardiamente ou em busca de um suporte que poderia ter sido oferecido perto da sua casa. Por isso, precisamos reforçar essa preciosidade que é a atenção básica em saúde. Esse grande ouro que é para os pacientes serem bem atendidos e evitarem chegar aos hospitais tardiamente ou para buscar um suporte que eles poderiam ter tido num lugar perto da sua casa – finaliza Palma.