Ela não era necessariamente uma pessoa de grande notoriedade pública. Mas isso não a impediu de ser alguém de grande importância. Ela vivia em um lar de amparo, mas isso não fez com que tivesse menos cuidados, afeto e amor. Ela era uma senhora pequenina, mas isso não a fez menor que qualquer um de nós.
Em um de nossos últimos encontros, vi que Vó Genessi gostava mesmo de música. E vi ela levantar de sua cadeira, ao som de Aretha Franklin, se enchendo de alegria para fazer um bailado solitário, mas cheio de vida.
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É meus amigos, essa foi a Vó Genessi que eu conheci e que nos deixou nessa quarta-feira. Como uma pequena borboleta colorida, saiu desse plano para encantar outros mundos. Levou sua alegria para morar na paz de uma nova existência, mas deixou o pequeno legado de sua passagem naqueles com quem conviveu.
Recordava dela de minhas primeiras visitas ao Lar das Vovozinhas e, recentemente, tivemos o privilégio de vê-la participando de nossos encontros para construir uma história, que virará um livro de autoria conjunta entre minha família e as vovós do Lar. Lá estará a assinatura que nos deixou como um último presente, com a foto que guardaremos como recordação desses dias de convívio.
Ela era a moradora mais antiga do Lar das Vovozinhas, posto que deixará para alguma das queridas moradoras de lá. E o que deixo de recado final aos queridos leitores que dedicaram seus minutos a ler este texto, é que não deixem a vida passar sem abraçar aqueles que amam ou que lhe fazem bem. Porque se assim o fizerem, ainda ficará a saudade, mas na forma mais linda de recordação de bons momentos vividos.
Até logo, Vó Genessi!
O Vô do Fusca
A mensagem que quis deixar acima aos amigos, recentemente, encontrei em um filme que muito bem aborda esse tema. Me refiro ao ótimo “O Velho Fusca”, do cineasta Emiliano Ruschel, que tive oportunidade de assistir em sua estreia nos cinemas.
Mais do que um gostoso longa-metragem romântico, que fala das peripécias de um rapaz em busca de conquistar o coração de uma jovem menina, querendo ter o fusca do avô como aliado para chamar a atenção da garota. Mas, para isso, precisará antes reformar o velho fusquinha abandonado e, junto com ele, restaurar relações familiares que estavam tão quebradas, quanto o carro abandonado.
E aí está a beleza desse filme, que fala sobre a relação que floresce entre avô e neto, fazendo com que pais reencontrem filhos, histórias do passado sejam revisitadas e o perdão recupere o amor para aquela família.
Sempre é tempo de dar um passo atrás e reatar relações que parecem perdidas. Sempre é tempo de ligar, de dar um abraço de dizer que se ama. O Velho Fusca nos ensina isso. E, se fosse você, não deixaria de assistir esse filme.
Nossos idosos são fonte de vida e conhecimento. Eles são um presente que precisamos apreciar e valorizar.