Parar antidepressivos: qual é a forma mais segura de fazer isso?

Mauricio Scopel Hoffmann

Muitas pessoas que melhoram da depressão ou da ansiedade se perguntam quando e como podem parar o antidepressivo. Um grande estudo liderado por Debora Zaccoletti, publicado em 2026, comparou diferentes estratégias usadas na prática clínica para suspender esses medicamentos. A análise reuniu dados de mais de 17 mil pessoas e mostrou que interromper o antidepressivo de forma abrupta ou muito rápida aumenta o risco de recaída. Em contraste, a combinação de redução lenta da dose com acompanhamento psicológico teve resultados semelhantes a continuar o medicamento, protegendo contra o retorno dos sintomas. No entanto, é muito comum vermos condutas erradas, como usar “dia sim e dia não” ou simplesmente suspender abruptamente, o que favorece retorno dos sintomas e efeitos de retirada aguda da medicação, como náusea, tontura, dor e irritabilidade. Esses achados ajudam a organizar uma dúvida comum no consultório: sair do antidepressivo é possível, mas exige planejamento, tempo e apoio adequado. A decisão não deve ser apressada nem feita sem acompanhamento profissional.

+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp

Inteligência artificial na saúde mental

A inteligência artificial já escreve textos, reconhece imagens e organiza tarefas do dia a dia. Mas será que ela pode ajudar no cuidado da saúde mental? Um artigo recente de Nils Opel, publicado em 2026, discute como essa tecnologia começa a transformar a pesquisa e a prática clínica nessa área. Segundo o estudo, sistemas de inteligência artificial conseguem identificar padrões em dados de fala, sono, atividade física e uso de celulares que passam despercebidos na avaliação tradicional. Essas ferramentas podem ajudar a prever recaídas, apoiar diagnósticos e personalizar tratamentos. Chatbots terapêuticos e sistemas de apoio à decisão clínica já estão em uso experimental, com resultados iniciais encorajadores. Ao mesmo tempo, a saúde mental traz desafios específicos. Não existem exames objetivos, os dados são sensíveis e o risco de uso inadequado é real. Por isso, a proposta não é substituir profissionais, mas usar a tecnologia como apoio ao cuidado humano, com validação científica e regras éticas bem definidas.

Criar filhos com TDAH muda o comportamento dos pais? 

Pais de crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade frequentemente enfrentam críticas sobre sua forma de educar. Uma grande meta-análise liderada por Tudor Videan em 2025, reunindo dados de mais de 13 mil famílias em 19 países, ajuda a colocar esse tema em perspectiva. O estudo encontrou, em média, menos práticas parentais positivas e mais conflitos em famílias de crianças com TDAH. Isso não indica falta de esforço ou cuidado, mas reflete o desgaste emocional de lidar diariamente com impulsividade, desatenção e dificuldades de comportamento. Os resultados reforçam a importância de olhar para a família como um todo. Intervenções que oferecem orientação, apoio emocional e estratégias práticas para os pais tendem a melhorar o ambiente familiar e fazem parte de um cuidado mais efetivo para crianças e adolescentes com TDAH. 

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Parar antidepressivos: qual é a forma mais segura de fazer isso? Anterior

Parar antidepressivos: qual é a forma mais segura de fazer isso?

A generosidade que brota da terra: o destino dos frutos Próximo

A generosidade que brota da terra: o destino dos frutos

Colunistas do Site