As vacinas atualizadas para 2025–2026 protegem?

Mauricio Scopel Hoffmann

Com tantos vírus circulando – Covid-19, gripe e o vírus sincicial respiratório (VSR) – é natural que as pessoas se perguntem se vale a pena continuar vacinando. O novo relatório de Jake Scott, publicado no New England Journal of Medicine, traz uma resposta clara: sim, vale muito.


As vacinas atualizadas contra Covid-19 reduziram em cerca de 50% o risco de hospitalização, e em idosos chegaram a 75% de proteção contra morte. No caso do VSR, o anticorpo nirsevimabe evitou que 83% dos bebês de até 6 meses desenvolvessem casos graves da bronquiolite, enquanto os imunizantes para adultos alcançaram até 79% de proteção. Já a vacina da gripe mostrou eficácia média de 48% em adultos e 67% em crianças – números que representam milhares de internações evitadas. Vacinas não eliminam totalmente o risco, mas reduzem drasticamente formas graves e mortes. Em um cenário de vírus que mudam ano a ano, atualizar a proteção continua sendo a forma mais rápida, segura e coletiva de salvar vidas.


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Da evitação ao início precoce: alergia ao amendoim

Por muitos anos, pais foram orientados a evitar o amendoim na infância, com medo de alergias. Mas isso mudou – e os resultados começam a aparecer. Um estudo publicado por Samantha Anderer na JAMA mostra que a alergia ao amendoim vem caindo nos Estados Unidos, depois de quase duas décadas de alta.


A taxa reduziu em 33% entre 2017 e 2024. Mas o que explica essa mudança? Pesquisas como o teste clínico LEAP mostraram que introduzir o amendoim cedo, em pequenas quantidades e com segurança, reduz o risco de alergia. Isso levou a novas recomendações pediátricas, que agora orientam a introdução precoce – especialmente para bebês com risco elevado. É um raro caso em que uma mudança simples de comportamento, baseada em boa ciência, produz efeito nacional.


Pobreza e ambiente hostil moldam efeito da genética na saúde mental

Parte do que ocorre conosco é herdado, incluindo nossa saúde mental. Mas um estudo realizado em jovens brasileiros, liderado por Adrielle Oliveira e com pesquisadores da Unifesp, UFRGS e parceiros internacionais, mostra que isso é relativo. Utilizando dados de milhares de jovens acompanhados desde a infância, o estudo analisou como o escore genético para sintomas de depressão e ansiedade interage com dois tipos de adversidade: privação e ameaças.


Foi encontrado que os genes pesam mais quando a criança cresce em ambiente estável. Em situações de alta privação, o efeito genético praticamente desaparece – o ambiente domina. Já em contextos de ameaça, a relação se torna mais complexa, com impacto variável ao longo do desenvolvimento. Isso significa que genética não é destino, especialmente em sociedades marcadas por desigualdade. Políticas que reduzem privação e violência diminuem o risco de adoecer e permitem que jovens expressem seu potencial completo. A biologia importa – mas o ambiente também.

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