Foto: Mateus Ferreira
A intensa estiagem que atinge Santa Maria tem causado prejuízos severos para os produtores agrícolas, especialmente no setor de hortaliças. A falta de chuvas e as temperaturas elevadas têm comprometido a qualidade dos alimentos e reduzido à oferta de produtos essenciais para o consumidor. Segundo dados já apurados diretamente com os produtores, a perda no cultivo de alface chega a 90%, impactando diretamente feirantes, comerciantes e consumidores.
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Para o feirante Márcio Rodrigues, 41 anos, a situação é crítica. Ele explica que, apesar da irrigação constante, algumas culturas não resistem ao calor extremo.
— Estamos sendo prejudicados demais por causa dessa estiagem. Não conseguimos uma produção de qualidade, principalmente das verduras. Couve, radite e temperos ainda conseguimos produzir, mas o alface é muito castigado. Ele queima com o sol e se perde completamente. Mesmo irrigando duas vezes ao dia, não conseguimos produção porque o calor é intenso — relata.

O problema não é isolado. Márcio destaca que a perda atinge toda a cadeia produtiva da cidade.
— Essa perda é geral, não acontece só comigo. Diversos produtores aqui da cidade não têm alface. A gente chega aqui na feira e observa os colegas, ninguém tem a verdura, todos estão tendo prejuízo. Hoje, para produzir, só com irrigação. Quem não tem sistema de irrigação não consegue nem plantar, precisa de muita água para entregar um produto de qualidade — reforça.
Impacto no comércio e no consumidor
Os reflexos da estiagem já são percebidos nos mercados e feiras da cidade. O comerciante Vilson Pires, 49anos, que acompanha diariamente os preços, relata a dificuldade em encontrar determinados produtos e a variação de valores.
— Eu cuido muito os preços porque vou à feira e ao mercado todo dia para o meu comércio. O que observo é que os preços variam muito. Tem dias que não encontramos certos produtos, e os preços oscilam conforme a oferta. Aqui na feira, por exemplo, eu venho buscar alface e não encontro. Então, saio daqui e procuro em outro lugar. A gente pesquisa e compra onde tem — explica.
Além da escassez, a qualidade dos produtos também preocupa os consumidores. A podóloga Viviane Rodrigues, 45 anos, comenta sua experiência ao tentar encontrar frutas frescas.
— A qualidade dos produtos caiu muito, mas o preço não. Eu costumo fazer aquela manobra: levo o que está em oferta e cuido das promoções. Mas tem dias complicados, quando os produtos estão ruins. Vim buscar manga no mercado e, ou levo a fruta verde, ou não levo, porque a qualidade está horrível — relata.

A situação também afeta o abastecimento nos supermercados. A gestora de vendas Tainara Zanini explica que, apesar das dificuldades, os estoques estão sendo repostos.
— A qualidade dos produtos já não é a mesma, mas não deixamos faltar. Efetuamos as compras para repor o estoque e garantir que o consumidor tenha acesso aos produtos. No entanto, é perceptível que a qualidade já não é como antes — pontua.
Reflexos econômicos e pressão no orçamento
A seca não afeta apenas hortaliças e frutas. O professor e economista Mateus Frozza destaca que o impacto da estiagem também atinge as lavouras de grãos, como soja e milho, com reflexos no mercado financeiro e no custo da alimentação.
— O que mais impacta nesse momento de estiagem são os grãos, principalmente soja e milho. As perdas já estão sendo sentidas e terão um reflexo ainda maior neste primeiro semestre de 2025. Na pecuária, ocorre uma elevação de preços, porque, com a pastagem seca, o agricultor precisa recorrer à alimentação comprada no mercado. Esse gasto adicional pressiona o orçamento, e o preço final da carne tende a subir — explica.
O setor de hortifrúti também sente os efeitos da estiagem. Além das perdas no campo, há custos adicionais com armazenamento e transporte, fatores que elevam ainda mais os preços.
— Tudo isso faz com que o consumidor fique pressionado nas contas. As escolhas no supermercado são cada vez mais difíceis. Muitas vezes, é preciso substituir um produto por outro mais acessível — conclui Frozza.
Com a falta de chuvas e temperaturas elevadas, produtores, comerciantes e consumidores seguem buscando alternativas para lidar com os desafios impostos pela estiagem, que já figura entre as mais severas registradas nos últimos anos na região.