Foto: Beto Albert (Arquivo/Diário)
Em Santa Maria, 16 mil alunos da rede estadual de ensino retornam às aulas nesta quarta-feira (18). O ano letivo marca o segundo ano sem celular na sala e uma aposta, cada vez maior, no ensino em tempo integral e nas políticas de permanência escolar. Em entrevista ao Diário, a 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) detalhou o planejamento das atividades para 2026.
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De acordo com o coordenador da 8ª CRE, José Luís Viera Eggres, o trabalho para o início do ano letivo começa ainda no ano anterior. Nesse período, de férias escolares, são planejados o quadro profissional, alimentação, infraestrutura e transporte escolar.
– O planejamento começa em dezembro, sempre, começou até antes disso com as matrículas. Trabalhamos muito intensamente no planejamento no que diz respeito ao estudo de quadros, dos recursos humanos necessários para que possamos começar o ano letivo com todos os professores em sala de aula – explicou.
Conforme Eggres, um dos maiores esforços tem sido garantir que não faltem professores em sala de aula. Atualmente, 12 novas escolas da região passam a atender em tempo integral, o que amplia a demanda por profissionais da educação.
– Não posso dizer que será 100%, porque a gestão de recursos humanos é muito dinâmica. Mas todo o esforço possível foi feito para que a gente tenha o quadro para atender plenamente as escolas – destacou.
Obras e investimentos
Algumas instituições iniciam o ano com obras em andamento. Um dos exemplos é o prédio histórico do Instituto de Educação Olavo Bilac, em Santa Maria, que passa por restauro com investimento estadual de R$ 6,4 milhões. De acordo com Eggres, a previsão é que até a metade do ano o prédio esteja em condições de uso. A assinatura da ordem de serviço, que oficializou o início das obras, ocorreu em julho do ano passado.
– Nós tínhamos um prazo inicial de cerca de um ano. Mas obras de recuperação e restauro, como é o caso do Instituto, às vezes apresenta situações no decorrer do processo que podem gerar pequenos atrasos. É uma obra complexa, de três andares, que exige restaurar cada detalhe, respeitando a arquitetura original – afirma.

Escolas em tempo integral
A 8ª CRE é uma das que mais implementaram o modelo de tempo integral no Estado. Atualmente, são 30 escolas nesse formato – 28 delas de Ensino Médio. Eggres ressaltou que os resultados desse investimento já aparecem nos indicadores:
– Não é só o aumento da carga horária, mas um projeto didático-pedagógico voltado ao projeto de vida e ao protagonismo do estudante. Nós avançamos muito no Ensino Médio. Saímos de 80,4% de aprovação em 2024 para 86,9% em 2025. É um aumento de 6,5% no desempenho.
Além disso, o coordenador explica que houve redução da reprovação. Para ele, os dados são resultados de investimentos como repasses financeiros direto às escolas, distribuição de mais de 10 mil Chromebooks na região e melhorias em infraestrutura.
– Em 2024 era 18,1% e caiu para 10,5% em 2025. São 7,6% a menos de reprovação. Isso é resultado de um conjunto de políticas públicas que convergem para a permanência do estudante – afirma.
Uso do celular
O ano letivo de 2026 também marca o segundo ano sem uso de celular no ambiente escolar. Conforme o coordenador, a prática tem resultado no aumento na concentração dos alunos e menor dispersão no período em que se encontram em sala de aula. Ele explicou que a Secretaria de Educação realiza uma pesquisa estruturada com estudantes e professores para mensurar os impactos.
Embora a legislação não determine o formato de guarda dos aparelhos, a coordenadoria orienta que as escolas adotem caixas com chave para armazenamento.
– No nosso entendimento, é a maneira mais segura. Todos colocam ali, chaveia, e no final da aula cada um retira o seu.

Programas de permanência
O coordenador também destacou a importância de programas de incentivo, como o Pé no Futuro, do governo do Estado, que disponibiliza R$150 aos alunos para a compra de tênis e meias aos alunos inscritos no CadÚnico.
– Às vezes, um tênis parece algo simples, mas para aquele menino ou menina que tem dificuldade, faz toda a diferença. Mexe com a autoestima e é um incentivo para permanecer na escola – afirmou.
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