"Quem paga menos é quem mais reclama", diz presidente da ATU sobre protestos de estudantes contra aumento da tarifa em Santa Maria

Foto: Rian Lacerda (Diário)

O presidente da Associação dos Transportadores Urbanos de Santa Maria (ATU), Luiz Fernando Maffini, criticou o protesto realizado por estudantes contra o aumento da tarifa do transporte coletivo urbano em Santa Maria. Em entrevista ao programa Bom Dia Cidade, da Rádio CDN, ele classificou a mobilização como equivocada e afirmou que há um “viés político” na manifestação.

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A paralisação foi iniciada na manhã desta segunda-feira (9) pelo Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (DCE) e bloqueou, a partir das 6h, a parada de ônibus da Rua do Acampamento, no centro da cidade. A ação atingiu apenas as linhas que fazem ligação direta com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

As linhas Tancredo Neves/Campus e Circular/UFSM seguem operando por outras regiões e não são afetadas pelo bloqueio.

A mobilização ocorre em protesto contra o reajuste da tarifa do transporte coletivo, que entrou em vigor também nesta segunda-feira. Com o aumento, a passagem paga em dinheiro passou de R$ 6,50 para R$ 7,25, enquanto o valor no cartão do sistema municipal subiu de R$ 5,90 para R$ 6,65.


“Situação mais política”, diz Maffini
Durante a entrevista, Maffini afirmou que o perfil de usuário que protesta é justamente o que possui maior benefício na tarifa.

— A gente também lamenta que o perfil de usuário mais beneficiado com o valor da tarifa é o que está protestando. O estudante está pagando R$ 3,82 para ir do centro à universidade e está criando toda essa situação — afirmou.

Segundo ele, a mobilização tem caráter político e não contribui para resolver o problema do financiamento do sistema.

— Para mim é mais uma situação política, um aproveitamento de um espaço político em função de um reajuste que, na verdade, é um reequilíbrio de valores. A gente respeita o protesto das pessoas, mas ele está sendo feito de forma equivocada — disse.


Tarifa técnica seria maior
De acordo com o presidente da ATU, estudos técnicos apontavam um valor ainda maior para a tarifa.

A tarifa técnica de maio e junho de 2025 apontava um valor de R$ 7,65. Como o município hoje não está subsidiando a tarifa do usuário, a prefeitura emitiu um decreto com o valor de R$ 7,25, ou seja, menor ainda do que a tarifa técnica — explicou.

Ele acrescentou que, se uma nova planilha fosse elaborada hoje, o valor poderia ultrapassar R$ 8.

— Se nós fizermos uma nova planilha agora, essa tarifa passa de R$ 8,40. O diesel já subiu cerca de 25 centavos na última semana, e isso impacta diretamente no custo do serviço.


Conselho já teria aprovado valor

Outro ponto levantado pelos estudantes é que o novo valor não teria passado pelo Conselho Municipal de Transportes. Maffini afirmou que o reajuste foi discutido anteriormente no colegiado.

— O conselho municipal de transportes aprovou uma tarifa de R$ 7,65 ainda em 2025. Nessas reuniões estavam presentes representantes da comunidade e também do próprio DCE — afirmou.

Segundo ele, o diretório estudantil inclusive teria votado a favor de reajustes anteriores.

— O DCE já votou pelo aumento da tarifa em outros momentos. Basta olhar as atas das reuniões do conselho.


Falta de subsídio pressiona sistema

Maffini afirmou que o principal fator para o aumento da tarifa é a ausência de subsídio público ao transporte coletivo.

— O subsídio é para o usuário, para o trabalhador e para o estudante. Nós, empresas, somos remunerados pelo serviço. Quando esse benefício deixa de existir, a tarifa precisa ser reajustada para manter o sistema funcionando — disse.

Segundo ele, a prefeitura enfrenta limitações orçamentárias para manter esse tipo de política pública.

— Os orçamentos das prefeituras são curtos. Hoje não existe uma fonte permanente de custeio para reduzir o valor da tarifa para o usuário.


Concorrência com aplicativos

O presidente da ATU também comentou sobre o argumento de que o aumento da tarifa pode incentivar parte da população a migrar para serviços de transporte por aplicativo.

— O ouvinte tem razão nesse questionamento. Mas as empresas precisam ser remuneradas pelo serviço que prestam. O problema é que os aplicativos não são regulamentados e não pagam impostos da mesma forma que o transporte coletivo — afirmou.

Segundo ele, a regulamentação desse setor poderia inclusive ajudar a financiar o transporte público.

— Esses valores poderiam ajudar a subsidiar a tarifa do trabalhador e do usuário do transporte coletivo.


Debate sobre tarifa zero

Maffini também comentou iniciativas de gratuidade no transporte coletivo adotadas em algumas cidades brasileiras.

A tarifa zero é uma realidade em alguns municípios. Mas cada cidade tem uma realidade orçamentária diferente. O governo federal fala sobre isso, mas não indica recursos nem transfere dinheiro para as prefeituras — disse.

Para ele, cidades com maior arrecadação conseguem implementar esse modelo com mais facilidade.

— Prefeituras com orçamento mais robusto conseguem fazer isso. Outras, como Santa Maria, têm mais dificuldade.

Ao final da entrevista, o dirigente voltou a criticar a mobilização estudantil.

Quem está fazendo esse manifesto é justamente o mais beneficiado pelo sistema. Quem paga menos é o que mais reclama — afirmou.


Confira a entrevista

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