Foto: Reprodução
É cri, cri cri por toda parte, a ponto de tirar a paciência de muita gente. Moradores de Santa Maria têm relatado, nas últimas semanas, uma presença incomum de grilos em casas, prédios e áreas urbanas. É difícil encontrá-los ou vê-los, mas seu barulho estridente e inconfundível é prova de que eles estão rondando nossas casas e prédios. O fenômeno, que chama atenção pelo volume e pelo som característico dos insetos, segundo especialistas, está diretamente ligado às condições climáticas recentes, especialmente o aumento das temperaturas combinado com períodos de chuva.
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Calor e chuva explicam aparição em massa
De acordo com o professor Jonas André Arnemann, do Departamento de Defesa Fitossanitária da Universidade Federal de Santa Maria, essa “invasão” não é um surto fora do comum, mas o resultado de um ciclo natural acelerado.
– A gente teve uma combinação de calor e umidade que favoreceu a saída em massa das ninfas, que são os grilos ainda jovens, que estavam no solo – explica.
Ele explica que os grilos passam por três fases principais: ovo, ninfa e adulto. Em temperaturas mais altas, próximas dos 30°C, o ciclo se completa mais rapidamente, em cerca de 45 dias. Já em períodos mais frios, pode levar até cinco meses. Segundo o professor, o cenário recente funcionou como um gatilho: ovos que estavam no solo, em condições menos favoráveis, acabaram eclodindo quase ao mesmo tempo com a chegada da chuva e do calor.
Além do clima, a iluminação artificial também tem papel importante. A luz branca atrai os insetos com intensidade, fazendo com que eles se desloquem para áreas urbanas, mesmo não sendo seu habitat natural.
– Eles não querem estar dentro das casas, mas acabam sendo atraídos pela luz, que é mais forte do que qualquer outro estímulo – destaca Arnemann.
A recomendação, nesses casos, é optar por lâmpadas amarelas em áreas externas, que são menos atrativas.
Não há riscos à saúde
Apesar do incômodo, especialmente pelo barulho produzido pelos machos ao esfregar as asas para atrair fêmeas, não há motivo para preocupação.
— É zero risco à saúde humana. Eles não transmitem doenças – afirma o professor.
Os grilos podem se alimentar de restos orgânicos, como ração de pets ou tecidos sujos, mas não representam ameaça direta às pessoas.
Como reduzir a presença dos grilos
A orientação do professor é manter ambientes limpos, evitar acúmulo de alimentos no chão, fechar frestas e, se possível, reduzir a atração luminosa. O uso de inseticidas não é recomendado, principalmente por seus impactos ao meio ambiente e aos animais domésticos.
Com a tendência de queda nas temperaturas a partir de agora, a expectativa é de que a presença dos grilos diminua gradualmente. Até lá, o conselho é manter a calma, e, para alguns, até aproveitar a “sinfonia” noturna que tomou conta da cidade.