Foto: Janice Ribas (Prefeitura de Ivorá)
Professor Édison Hüttner fez a apresentação da escultura de Jesus Cristo Missioneiro nesta sexta-feira no Clube União, em Ivorá
A única escultura missioneira de Jesus Cristo ressuscitado que se tem notícia no Rio Grande do Sul pertence a Ivorá. Apesar de estar há quatro décadas no município da Quarta Colônia, somente agora a origem da imagem foi descoberta. O resultado da pesquisa histórica foi apresentado na manhã desta sexta-feira (6), no Clube União, pelo professor e pesquisador Édison Hüttner.
Segundo o docente da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a peça foi esculpida em madeira cerca de 300 a 350 anos atrás pelo artista italiano José Brasanelli ou por um dos seus alunos. A relíquia apresenta desgaste pelo tempo. Jesus não tem o braço direito, e há falhas na madeira.
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No entanto, a peça conserva vestígios das cores originais, como a pele em tom laranja claro, o manto vermelho, as vestes brancas e os cabelos e a barba em tom entre preto e marrom. No manto, o destaque são os desenhos de florais elaborados com películas de ouro.
– Esse trabalho em ouro não é apenas um detalhe. Ele acrescenta textura e brilho, criando um contraste sofisticado com as cores sólidas do manto – conta o professor.
Integrante do Grupo de Pesquisa de Arte Sacra Jesuítica-Guarani, Hüttner é referência no tema no Brasil. No evento de sexta-feira, o doutor em Teologia esteve em Ivorá para falar sobre a descoberta histórica. Segundo ele, a escultura só encontra peças semelhantes na Argentina e no Paraguai, onde os jesuítas também estiveram pregando a fé cristã para os indígenas. Mesmo assim, restam apenas quatro imagens nesses países.
Com 61,8 centímetros de altura e largura de 31 centímetros, a escultura em madeira maciça de Jesus Ressuscitado pesa 48,5 quilos. A imagem do século 18 mostra Jesus olhando para o céu, com semblante sério, resultado de seu sofrimento na cruz.
O braço esquerdo conservado tem a mão aberta, um símbolo da ressurreição. Segundo o professor, essa mão, que havia sido ferida pelo cravo da cruz, tornou-se um sinal visível de que Ele voltou dos mortos.
– O braço esquerdo, estendido, simboliza a vitória sobre a morte. Símbolo de quem anuncia uma nova vida, um caminho de ressurreição – afirma.
Antes de ir para o acervo do museu, a escultura estava no prédio onde hoje funciona a prefeitura. Até 1988, o imóvel pertencia a um internato de freiras. Contudo, quem levou o item missioneiro para a congregação ainda é um mistério.
Moradores de Ivorá e turistas podem apreciar a escultura missioneira no Museu Municipal Casa do Nono, que atualmente só recebe visitas agendadas.
Referência na arte jesuítica
Ao longo de 20 anos de pesquisas sobre a arte sacra jesuítica-guarani, o professor Édison Hüttner já catalogou cerca de 35 peças históricas no Rio Grande do Sul. Entre elas, estão esculturas, sinos, livros e até uma fonte.
Alguns dos itens foram descobertos na região, como os sinos da Catedral Metropolitana de Santa Maria e da Igreja Matriz de Caçapava do Sul. A capela de São Martinho da Serra também guarda sinos construídos nos tempos das missões jesuíticas.

Turismo em crescimento
Desde a certificação do Geoparque da Quarta Colônia pela Unesco, em 2023, o turismo na região vem crescendo. Ivorá é um dos municípios que experimentam a presença cada vez mais frequente de turistas brasileiros e estrangeiros, especialmente em função dos atrativos naturais, com destaque para as cascatas.
– Depois do reconhecimento da Unesco, o turismo cresceu muito mais. Ivorá ainda tem muito a desenvolver – afirma o secretário de Cultura, Desporto e Turismo de Ivorá, Ricardo Bertoldo.
Segundo ele, a melhor maneira de visitar o município de colonização italiana, berço do advogado e político Alberto Pasqualini, é por meio de passeios guiados. Há quatro empresas que oferecem viagens. Duas delas incluem visitas ao Museu Casa do Novo, onde a escultura de Jesus Missioneiro fica exposta. São elas Caminhos de Ivorá e Caminhões e Aventuras.
O secretário garante que, nas próximas semanas, a prefeitura pretende manter o Museu Municipal aberto de segunda a sexta, pela manhã, para facilitar as visitações.