Tomate a R$ 14,90: aumento dos hortifrutis pesa no bolso dos consumidores em Santa Maria

Tomate a R$ 14,90: aumento dos hortifrutis pesa no bolso dos consumidores em Santa Maria

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Montar a salada, preparar o molho ou encher a sacola na feira tem custado mais caro para os santa-marienses. Nas últimas semanas, a alta nos preços de hortifrutigranjeiros passou a chamar a atenção de consumidores e comerciantes. Em feiras locais, o quilo do tomate chegou a ser comercializado por R$ 14,90

+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
​Esse cenário reflete o panorama nacional: dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a batata e o tomate registraram aumento médio superior a 12% nos centros de abastecimento do país, devido à transição de safras e ao clima. O impacto mais severo, contudo, foi o da cenoura, que teve uma elevação expressiva de 48,58% impulsionada pela menor disponibilidade de oferta no mercado.


"Tudo subiu": o que pensam os consumidores

No bolso do consumidor, o impacto é imediato e tem exigido mudanças nos hábitos de consumo, refletindo em sacolas mais vazias e na escolha minuciosa de cada unidade. 

Maria Machado, de 75 anos, domésticaFoto: Rian Lacerda (Diário)

A doméstica Maria Machado, de 75 anos, que costuma abastecer a despensa na tradicional feira da Rua Tamanday, localizada na Praça da Nonoai, relata que o jeito foi adotar o racionamento voluntário para evitar o desperdício:

– Tudo está mais caro, evito de comprar. Quando compro, é um ou dois, justamente para não pagar muito. Não tem nada que vá comprar que baixou o preço, tudo subiu.


O dilema das bancas: a perspectiva dos feirantes

Se para quem compra a situação é de aperto, para quem vende o cenário é de negociação e repasse inevitável de custos. Os feirantes explicam que a baixa produtividade decorrente do frio e de quebras de safra em regiões parceiras impede uma redução nas tabelas de preços. 

Gilberto Busanello, 57 anos,feiranteFoto: Vinicius Becker (Diário)

O feirante Gilberto Busanello, 57 anos, que atua na Rua Professor Braga e abastece sua banca com tomates de Pelotas, Caxias do Sul e São Paulo, explica que o preço atual é ditado pelas condições climáticas nas regiões produtoras.

– A tendência dele não é baixar. Não adianta o pessoal reclamar, não tem o que fazer. Nós pagamos um valor alto para poder ter o produto, senão nem isso conseguimos.

Busanello projeta uma leve queda no preço da cenoura e estabilidade para a batata nas próximas semanas, que depende diretamente do volume das próximas colheitas para baratear.


O que explica o aumento?

Para entender o que de fato encarece os produtos, o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Junior, explicou em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade!, da Rádio CDN (93.5 FM), que os reflexos do reajuste de combustíveis levam de 40 a 50 dias para aparecer integralmente no ponto de venda.

– Com certeza os fornecedores dos supermercadistas acabaram repassando esse valor do frete na mercadoria e isso hoje já impacta para o consumidor nos preços finais dos produtos em gôndola. Obviamente, o supermercado não tem como absorver essa subida, e foi repassada para o produto.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

O presidente destaca que o fator climático e a distância geográfica são os verdadeiros impulsionadores da volatilidade dos hortifrutis, que chegam a Santa Maria vindos de estados como São Paulo, Espírito Santo, Bahia e Pará. 

Essa dependência de mercadorias que viajam longas distâncias, no entanto, revela um problema que vai além da logística. De acordo com o professor de extensão rural da UFSM, Gustavo Pinto da Silva, o encarecimento dos alimentos é reflexo de outros aspectos:

– Muitos agricultores deixaram de produzir hortaliças e frutas devido à falta de mão de obra, dificuldades de comercialização, baixa rentabilidade e envelhecimento da população rural, êxodo dos jovens, dificuldade de mecanizar as atividades, dentre outros..


Como substituir os produtos?

Diante de um cenário que ameaça a qualidade nutricional das famílias – já que o encarecimento dos hortifrutis induz à compra de produtos ultraprocessados –, especialistas apontam caminhos que passam tanto por políticas públicas quanto por mudanças de hábitos.

A economista Rita Inês Paetzhold Pauli, professora da UFSM e coordenadora do Grupo de Trabalho em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (GT-SSAN), defende o fortalecimento da produção local como escudo contra as oscilações do mercado tradicional:

– Uma das grandes saídas é desenvolver mais a agricultura urbana e periurbana. Quanto mais a gente desenvolve ela, menor vai ser a dependência que nós vamos ter, por exemplo, da vinda de produtos de longas distâncias, como da Ceasa de Porto Alegre ou de São Paulo.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Enquanto a produção local busca espaço, a alternativa imediata para o consumidor está na escolha do cardápio. A nutricionista e professora da Universidade Franciscana (UFN), Tereza Cristina Blasi, reforça que a população precisa priorizar alimentos regionais e sazonais.

Para isso, a especialista sugere substituições práticas e econômicas para manter o prato saudável durante o período de alta:

  • Na salada: Trocar o tomate por repolho roxo ou verde, couve, couve-flor e brócolis ao vapor.
  • Nos molhos: Usar moranga cabotiá cozida e batida no liquidificador para dar cor e consistência a refogados, adicionando vinagre de maçã para garantir a acidez e salsinha para temperar.
  • No churrasco: Substitua a batata inglesa por mandioca (aipim) ou batata-doce na maionese.
  • Nas frutas: Priorizar as frutas cítricas da estação (laranja e bergamota), além de caqui e abacate, que são produzidos regionalmente, possuem mais nutrientes adequados para o inverno e têm preços melhores que a maçã e a banana.

Tereza também recomenda o planejamento doméstico, como congelar molhos no verão (período de alta produção do tomate), e incentiva a frequência às feiras de Santa Maria, como a do Altar da Medianeira aos sábados, para garantir produtos mais frescos e baratos.


Panorama de mercado: Cotação CEASA/RS

A Central de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa / RS) acompanha e disponibiliza os valores praticados no mercado atacadista de hortigranjeiros, considerando a qualidade dos produtos, tipos de embalagem e variações de preço, garantindo transparência e equilíbrio na comercialização. Os dados são referentes a 11 de junho de 2026 e 11 de junho de 2025.

Hortifrúti

Cotação 12/06/2025

Cotação 12/06/2026

Tomate gaúcho (kg)

R$ 9

R$ 12,00

Tomate italiano (kg)

R$ 9

R$ 11,50

Tomate longa vida (kg)

R$ 8

R$ 9

Batata (kg)

R$ 4

R$ 6,40

Brócolis (dz)

R$ 40 

R$ 50

Cenoura (kg)

R$ 3

R$ 5

Cebola nacional (kg)

R$ 2,50

R$ 3,50

Banana prata (kg)

R$ 6,50

R$ 6,50

Banana da terra (kg)

R$ 7

R$ 10

Maçã fuji nacional (kg)

R$ 7,20

R$ 5,56

Mamão formosa (kg)

R$ 8

R$ 7

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

POR

Vitória Sarturi

Tomate a R$ 14,90: aumento dos hortifrutis pesa no bolso dos consumidores em Santa Maria Anterior

Tomate a R$ 14,90: aumento dos hortifrutis pesa no bolso dos consumidores em Santa Maria

Helicóptero que marcou Avenida Fernando Ferrari será transferido para outro ponto de Santa Maria Próximo

Helicóptero que marcou Avenida Fernando Ferrari será transferido para outro ponto de Santa Maria

Geral