Foto: Arquivo Pessoal (Divulgação)
A Justiça decretou a prisão preventiva de Waldir Abling, 57 anos, apontado como autor do feminicídio que vitimou Marlei de Fátima Froelick, 53, em Novo Barreiro, no norte do Rio Grande do Sul. A decisão foi deferida na sexta-feira (30), um dia após o crime, ocorrido na última quinta-feira (29), e enquanto o suspeito permanece hospitalizado em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).
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Segundo a investigação, Abling é o principal suspeito de ter disparado contra Marlei no momento em que ela abria o portão de uma propriedade localizada na linha Jogareta, na zona rural do município. A mulher havia retornado ao local para buscar pertences e planejava se mudar para a casa do filho como forma de se proteger das ameaças feitas pelo ex-companheiro.
Após o crime, o homem foi socorrido com lesões provocadas por faca e por disparo de arma de fogo, circunstâncias que ainda são apuradas pela Polícia Civil. Ele não possuía antecedentes criminais. O caso é o 11º feminicídio registrado no Rio Grande do Sul em 2026 e segue em investigação.
Medida protetiva negada
Antes de ser morta, Marlei havia procurado a polícia para relatar que sofria perseguição e ameaças constantes do ex-companheiro. O registro ocorreu em 12 de janeiro, quando a vítima também informou que o homem mantinha armas em casa. Diante do relato, a Polícia Civil solicitou, no mesmo dia, a concessão de medidas protetivas de urgência ao Judiciário. O pedido, no entanto, foi negado. Pouco mais de duas semanas após a decisão judicial, Marlei foi assassinada a tiros.
Conforme a Zero Hora, o despacho do juiz Gustavo Bruschi, da 1ª Vara Criminal de Palmeira das Missões, indica que o magistrado entendeu que não cabia a aplicação da Lei Maria da Penha ao caso.
“Entendo que o objetivo da Lei Maria da Penha é proteger a mulher ofendida/agredida e ser aplicada a casos onde exista necessidade, o que, à toda evidência, não é o caso dos autos”, escreveu o juiz.
Investigação em andamento
Com a decretação da prisão preventiva, Waldir Abling deverá ser encaminhado ao sistema prisional assim que receber alta médica e tiver condições clínicas para a custódia. A Polícia Civil segue apurando as circunstâncias do crime e aguarda a conclusão de laudos periciais para o avanço do inquérito.
O feminicídio reacende o debate sobre a análise e concessão de medidas protetivas e a atuação do sistema de justiça diante de relatos prévios de ameaças, especialmente em contextos de violência doméstica e de gênero.
O caso de Novo Barreiro é o 11º feminicídio registrado no Rio Grande do Sul em 2026, reforçando o alerta sobre a violência contra a mulher no Estado.