"Não é grave, mas estamos em alerta": diz secretário da Saúde sobre aumento de focos do mosquito transmissor da dengue em Santa Maria

Foto: Rian Lacerda

O aumento na presença do mosquito Aedes aegypti em Santa Maria colocou a Secretaria Municipal de Saúde em estado de alerta e levou ao reforço de ações de combate e prevenção ao inseto transmissor da dengue, zika e chikungunya. Em entrevista ao programa Bom Dia Cidade, da Rádio CDN, o secretário de Saúde, Guilherme Ribas, detalhou os resultados do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), explicou as estratégias adotadas e reforçou o papel da população na eliminação de criadouros.

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O levantamento foi realizado entre os dias 5 e 19 de janeiro e serve como base técnica para direcionar as ações de campo.

— O município se preparou para fazer o Lira, que é o Levantamento Rápido de Índice para o Aedes. Todos os municípios fazem para saber a incidência conforme as visitas dos agentes de endemias — explicou Ribas.


Mais focos e mais bairros com presença do mosquito

De acordo com o secretário, o número de amostras positivas cresceu em comparação com o mesmo período do ano passado.

— No ano de 2025 nós tivemos 59 amostras positivas. No ano de 2026, nesse levantamento rápido, nós tivemos 99 amostras positivas, distribuídas em 28 bairros — afirmou.

O crescimento é de cerca de 68%. O trabalho de campo também superou a meta prevista:

— Os agentes fizeram em torno de quase 3.500 visitas, um pouco a mais de residências do que estava programado no cronograma.

Dos 39 bairros vistoriados, 28 apresentaram presença do mosquito. Os locais com maior número de quarteirões positivos são:

  • Camobi — 12 quarteirões
  • Juscelino Kubitschek — 10
  • Nova Santa Marta — 8
  • Pinheiro Machado — 6
  • Urlândia — 5

Segundo o secretário, a distribuição mostra concentração maior nas regiões Oeste, Leste e Sul da cidade.


Onde estão os principais criadouros

Mesmo com período de menos chuva, os focos continuam sendo encontrados principalmente dentro dos imóveis.

— Algo que a população tem que cuidar é a água parada. Os focos do mosquito estão dentro dos próprios pátios, nas residências — destacou.

Ele citou exemplos recorrentes identificados pelos agentes:

— Água parada do ar-condicionado, água para o cachorro que em vez de trocar todo dia fica três, quatro dias. Potinhos de planta, calhas entupidas. Às vezes passarinho faz ninho e a pessoa não vê.

Ribas ressaltou que até pequenos recipientes podem virar criadouros:

— Uma tampinha de garrafa PET já pode servir de criador. São situações simples que muitas vezes a pessoa não dá bola.

O secretário também relatou um caso pessoal para ilustrar como o foco pode estar próximo:

— Quando eu tive caso positivo em 2023, o criadouro não estava no meu imóvel, mas atrás da minha casa tinha vários recipientes de água que não eram trocados todo dia – lembrou.


Pulverização com BTI e diferença para o fumacê

Entre as ações em andamento está a pulverização com BTI, um larvicida biológico aplicado em diferentes regiões da cidade, geralmente nas primeiras horas da manhã.

— Muitos podem ver o carro às cinco e pouco da manhã fazendo pulverização. É uma forma de conseguir fazer uma ação efetiva — disse.

Ele explicou a diferença em relação ao fumacê tradicional:

— O BTI é um larvicida biológico, à base de bactéria natural. Ele é eficaz no combate do mosquito, não deixa se multiplicar. Ele não vai matar o mosquito que está voando. O fumacê é uma ação do Estado que busca combater o mosquito que está voando no território. A pulverização é diferente e é feita nos 12 meses do ano — explicou o secretário


Ações direcionadas e parceria com o Exército

Com base no LIRAa, a Secretaria direciona equipes para áreas prioritárias e amplia o raio de vistoria ao redor dos focos encontrados.

— A partir dessas prioridades, está sendo aberto um raio nos imóveis onde foram encontrados focos, com vistoria das casas ao redor, eliminando criadouros e orientando moradores — afirmou.

Também está prevista nova parceria com o Exército Brasileiro:

— Até metade de fevereiro nós vamos sentar com o Exército para buscar a parceria que fazemos ano após ano, com visitas nas casas junto com agentes de endemias e agentes comunitários.


Outros pontos com ações específicas:

  • Escolas (Programa Saúde na Escola)
  • Sucatas e ferros-velhos
  • Cemitérios
  • Áreas com menor circulação de pessoas


Situação da dengue em 2026

Apesar do aumento de focos, Santa Maria não tem casos confirmados de dengue neste ano. Conforme dados oficiais:

  • 18 notificações registradas
  • 17 em investigação
  • 1 descartada
  • Nenhum caso confirmado
  • Nenhum óbito
  • Nenhum caso autóctone

O município é classificado atualmente como de médio risco pela presença de focos.

— Sempre temos que ter muito cuidado. A prevenção é o melhor caminho e sempre alertamos: não estamos dizendo que é uma situação grave, mas estamos em alerta para melhorar os índices de 2025 para 2026 — reforçou Ribas.


Cuidados recomendados à população

A Secretaria de Saúde orienta:

  • Manter caixas d’água bem fechadas
  • Colocar areia até a borda nos pratos de plantas
  • Não acumular água da chuva em recipientes
  • Manter tonéis e barris tampados
  • Guardar garrafas viradas para baixo
  • Limpar calhas e ralos
  • Trocar diariamente a água de potes de animais
  • Cuidar de piscinas, inclusive as de plástico
  • Destinar corretamente o lixo
  • Usar repelente em áreas de risco

Denúncias de locais com água parada podem ser feitas pelos telefones (55) 3174-1581 e (55) 7400-5525 (WhatsApp).


Confira a entrevista

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